A política de tarifas alfandegárias da administração dos Estados Unidos, pilar central da estratégia económica e geopolítica do Presidente Donald Trump, sofreu três derrotas sucessivas em menos de um mês — no Congresso, nos tribunais e nos próprios resultados do comércio internacional.
A política de tarifas alfandegárias da administração norte-americana, uma das bandeiras pessoais do Presidente dos Estados Unidos, sofreu três reveses sucessivos em menos de um mês: uma votação na Câmara de Representes contra medidas punitivas sobre o Canadá, a anulação pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos de tarifas recíprocas consideradas ilegais e, por fim, dados do comércio internacional que revelam um défice recorde superior a 1,2 bilião de dólares.
Apesar disso, Trump prometeu inverter os números até 2026 e reagiu à decisão judicial decretando uma nova tarifa geral de 15% — que poderá elevar a taxa média para cerca de 20%, o nível mais alto em mais de um século. Enquanto a medida aguarda regulamentação, vigora provisoriamente uma tarifa de 10%, acompanhada de novos avisos do Presidente a parceiros comerciais, numa escalada que aprofunda a incerteza nas relações económicas internacionais.
A primeira derrota surgiu na Câmara de Representantes, que aprovou a revogação das tarifas punitivas contra o Canadá, embora a decisão ainda dependa do Senado e o Presidente já tenha sinalizado que poderá vetá-la. A segunda e mais significativa derrota veio do Supremo Tribunal dos Estados Unidos, que anulou as tarifas recíprocas aplicadas em 2025 ao abrigo de legislação de emergência, declarando ilegais cerca de 58% das taxas cobradas nesse período.
Trump reagiu de imediato, decretando uma nova tarifa geral de 15% ao abrigo de uma disposição da Lei do Comércio de 1974 nunca utilizada por um Presidente. A medida, que aguarda regulamentação específica, deverá elevar a tarifa média sobre importações para cerca de 20%, o nível mais alto desde 1911. Para já, entrou em vigor uma taxa provisória de 10%.
O terceiro revés veio das estatísticas comerciais: apesar do aumento das tarifas, o défice no comércio de bens atingiu um recorde superior a 1,2 bilião de dólares no primeiro ano do segundo mandato de Trump. O défice global reduziu-se apenas marginalmente, graças ao excedente no sector dos serviços — especialmente propriedade intelectual, serviços empresariais e financeiros.
Ainda assim, a Casa Branca insiste que as tarifas estão a reorganizar as cadeias de fornecimento globais, reduzindo o défice com a China e o Canadá, embora os desequilíbrios tenham aumentado com países como Vietname, Índia e Taiwan.
O Presidente prometeu aos norte-americanos que em 2026 haverá excedente comercial e advertiu parceiros que tentem contornar os novos acordos tarifários, ameaçando impor taxas ainda mais elevadas. Analistas alertam, porém, que a escalada proteccionista poderá prolongar a incerteza e aumentar custos para empresas e consumidores, numa fase de crescente tensão nas relações comerciais globais.