A coligação governamental liderada pelo Partido Liberal Democrata (LDP) obteve uma vitória expressiva nas eleições legislativas realizadas neste domingo no Japão, conquistando 352 dos 465 lugares da Câmara dos Representantes, muito acima da maioria qualificada de dois terços necessária para ultrapassar vetos da câmara alta.
Apesar do resultado robusto, analistas políticos alertam que a opção da primeira-ministra Sanae Takaichi por uma agenda nacionalista e socialmente conservadora poderá, a médio e longo prazo, estreitar a base de apoio do partido e enfraquecer a sua hegemonia.
Takaichi fez campanha com um discurso firme em matérias como defesa, relações com a China, controlo da imigração e valores sociais tradicionais, conquistando eleitores preocupados com a desaceleração económica e o agravamento das tensões regionais.
A vitória eleitoral foi igualmente atribuída à forte popularidade pessoal de Sanae Takaichi, descrita por alguns observadores como um verdadeiro “culto de personalidade”.
Especialistas apontam ainda que Takaichi beneficiou do contexto internacional, nomeadamente da gestão da relação com o Presidente norte-americano Donald Trump e das tensões com a China, que reforçaram a sua imagem de firmeza. Em Novembro, declarações controversas sobre o futuro de Taiwan levaram Pequim a reintroduzir restrições comerciais e avisos de viagem, medidas que acabaram por fortalecer o apoio interno à chefe do Governo.
Apesar do triunfo eleitoral, analistas sublinham que o desafio de Sanae Takaichi será transformar a popularidade pessoal numa estratégia política sustentável, capaz de garantir estabilidade e apoio social alargado num Japão em rápida transformação.
As eleições ficaram também marcadas pela pesada derrota da recém-formada Aliança Reformista Centrista, resultante da fusão eleitoral entre o Partido Democrático Constitucional e o Komeito, que caiu de 172 para apenas 49 deputados.