Portugal vai hoje a votos numa segunda volta das eleições presidenciais, que opõe o socialista moderado António José Seguro ao líder da extrema-direita, André Ventura, presidente do Chega.
Esta será a primeira segunda volta presidencial em quatro décadas, depois de nenhum dos 11 candidatos ter ultrapassado os 50% dos votos na primeira volta, realizada a 18 de Janeiro. Um resultado que confirma a crescente fragmentação do panorama político português.
António José Seguro, de 63 anos, venceu a primeira volta com mais de 31% dos votos e parte como favorito para o escrutínio decisivo, segundo as sondagens. André Ventura, de 43 anos, ficou em segundo lugar com 23,5%, seguido de João Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal, que obteve 16%, e que foi que foi o candidato mais votado entre a comunidade portuguesa em Angola.
A taxa de participação atingiu os 52%, o valor mais elevado registado numa eleição presidencial nos últimos 15 anos.
Seguro regressou à vida política activa depois de, em 2014, ter perdido a liderança do Partido Socialista para António Costa, que viria a ser primeiro-ministro entre 2015 e 2024. O PS é o partido que mais vezes governou Portugal no período pós-ditadura, alternando no poder com o PSD, actualmente no Governo.
O candidato socialista apresenta-se como representante de uma esquerda “moderna e moderada”, defendendo um papel activo do Presidente da República na mediação política, com o objectivo de evitar crises como as que levaram a eleições legislativas antecipadas em 2024 e 2025. Seguro sublinha ainda a necessidade de defender os valores democráticos face à ascensão do populismo de extrema-direita, com slogans de campanha como “voto seguro” e “futuro seguro” ou “um seguro contra o risco”.
Do outro lado está André Ventura, líder carismático do Chega, antigo comentador desportivo de televisão e advogado de formação. Fundou o partido há cerca de sete anos e conseguiu, nas últimas legislativas, torná-lo a segunda maior força no Parlamento, ultrapassando o PS, com um discurso centrado no combate à corrupção e à imigração.
Ventura afirma querer ser um “presidente interventivo”, prometendo enfrentar aquilo que considera décadas de corrupção dos partidos do sistema. Defende também alterações à Constituição, com o objectivo de reforçar os poderes presidenciais.
As sondagens mais recentes apontam para uma vitória clara de António José Seguro na segunda volta, com resultados estimados entre 50% e 60% dos votos, dependendo da redistribuição dos indecisos. André Ventura surge com intenções de voto entre 20% e 30%. Com o país a atravessar um ciclo de tempestades devastadores, há diversas localidades do país que adiaram os votos para o próximo dia 15 de Fevereiro. No entanto, o mais provável, é que os portugueses tenham a partir deste domingo, 8 de Fevereiro, um novo Presidente que tomará posse no dia 9 de Março.