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Angola vai acolher Cimeira Global de Investimento em África ainda este ano

O Presidente João Lourenço anunciou, no Dubai, que Luanda vai acolher ainda este ano a Cimeira Global de Investimento em África, um evento que visa acelerar o desenvolvimento e o crescimento económico do continente africano, reforçando a atracção de capital global.

Presidente angolano anuncia realização da Cimeira Global de Investimento em África este ano em Luanda

Ao intervir na cerimónia de lançamento da Cimeira, João Lourenço afirmou que a iniciativa materializa o espírito da Cimeira Mundial de Governos, promovida pelos Emirados Árabes Unidos, enquanto espaço de reflexão sobre as transformações da ordem mundial e a necessidade de uma governação proactiva e responsável.

Segundo o chefe de Estado, a Cimeira Global de Investimento em África representa igualmente um momento de mobilização colectiva para reafirmar que África está preparada para explorar novas formas de atracção de capital global, sustentadas numa visão comum de um continente próspero, dinâmico e interligado.

João Lourenço enalteceu a liderança do presidente cessante do Banco Africano de Desenvolvimento, Akinwumi Adesina, sublinhando a sua visão e papel determinante na concepção da Cimeira, co-fundada com Margery Krause, da APCO. O Presidente recordou que tomou contacto com a iniciativa em Outubro de 2025, em Luanda, altura em que manifestou o apoio integral de Angola ao projecto.

No seu discurso, o Presidente da República destacou a mudança de paradigma em curso relativamente à atracção de investimento para África, defendendo a necessidade de o continente desbloquear o valor dos seus activos soberanos para acelerar o desenvolvimento económico e alcançar os objectivos da Agenda 2063 da União Africana, “A África que Queremos”.

João Lourenço salientou que África detém cerca de 40% das reservas globais de minerais, metais e elementos raros, recursos considerados essenciais para a transição energética global, nomeadamente no domínio das energias renováveis e dos sistemas de armazenamento de energia. Acrescentou ainda que o gás natural africano pode desempenhar um papel relevante no abastecimento energético mundial, enquanto as florestas e a biodiversidade integram o capital natural do continente.

“A África deve aproveitar cada vez mais estes activos soberanos, monetizando-os para desbloquear valor”, afirmou, sublinhando que a Cimeira Global de Investimento em África pretende apoiar os países africanos nesse processo, funcionando como uma ponte institucional entre o continente e os investidores globais, de forma segura, sustentável e mutuamente vantajosa.

De acordo com o Presidente, a iniciativa trabalhará com os países africanos para garantir previsibilidade aos investidores, através de regras estáveis, regimes de incentivos transparentes e respeito pelos contratos.

No caso específico de Angola, João Lourenço destacou as reformas estruturais de grande impacto económico e social em curso desde 2019, incluindo a privatização de mais de 100 empresas públicas, a simplificação dos procedimentos de investimento através da Janela Única de Investimento e a modernização do quadro legal para reforçar a transparência e a protecção do investidor.

O Presidente realçou ainda os activos estratégicos do país, como o sector petrolífero, a expansão das energias renováveis — com a meta de atingir 70% de produção renovável já no próximo ano —, a riqueza mineira em diamantes, ouro e minerais críticos, bem como as oportunidades na agricultura e no agronegócio.

As infra-estruturas, com destaque para o Corredor do Lobito e as novas concessões portuárias e aeroportuárias, foram igualmente apontadas como factores que posicionam Angola como um hub logístico regional, a par da aposta na economia digital e na modernização dos serviços financeiros.

O Presidente da República apelou ao trabalho conjunto no âmbito da Cimeira Global de Investimento em África para a construção de um futuro com impacto duradouro para os povos africanos e para o mundo, reiterando o convite à comunidade internacional para participar na primeira edição do evento, a realizar-se ainda este ano, em Luanda.

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