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Ruanda vai testar tecnologia de inteligência artificial em mais de 50 clínicas de saúde

O Ruanda vai testar tecnologia baseada em inteligência artificial (IA) em mais de 50 unidades de saúde, no âmbito de uma nova iniciativa da Fundação Bill & Melinda Gates destinada a apoiar cerca de mil clínicas em África, com o objectivo de melhorar a prestação de cuidados de saúde no continente.

Segundo Andrew Muhire, alto responsável do Ministério da Saúde do Ruanda, a tecnologia não pretende substituir o julgamento clínico, mas sim reforçá-lo, aumentando a eficiência de um sistema de saúde já fortemente pressionado. “A IA vem apoiar os profissionais de saúde, ajudando-os a tomar decisões mais rápidas e precisas”, afirmou à agência Associated Press.

Actualmente, o Ruanda dispõe de apenas um profissional de saúde para cada mil pacientes, um número muito abaixo do rácio globalmente recomendado de quatro profissionais por mil habitantes, o que evidencia a escassez de recursos humanos no sector.

A iniciativa, denominada Horizons1000, foi lançada esta semana pela Fundação Gates em parceria com a OpenAI e contará com um financiamento conjunto de 50 milhões de dólares ao longo de dois anos. Bill Gates sublinhou que o projecto visa contribuir para a redução das desigualdades no acesso aos cuidados de saúde.

“Em países mais pobres, com enormes carências de profissionais de saúde e infra-estruturas limitadas, a inteligência artificial pode ser um factor decisivo para expandir o acesso a cuidados de qualidade”, escreveu Gates num texto publicado aquando do lançamento da iniciativa.

Andrew Muhire classificou o projecto como uma “oportunidade transformadora”, que permitirá melhorar o acesso da população aos serviços de saúde, reduzir a carga administrativa e apoiar os profissionais médicos na tomada de decisões “mais exactas e atempadas”.

Apesar do entusiasmo oficial, especialistas em tecnologia digital manifestam algumas preocupações, nomeadamente quanto ao uso predominante da língua inglesa nas soluções de inteligência artificial, que não é amplamente falada no Ruanda.

Audace Niyonkuru, director-executivo da empresa de IA e dados abertos Digital Umuganda, afirmou que estão em curso esforços para desenvolver tecnologias de IA em kinyarwanda, a língua falada por cerca de 75% da população ruandesa. “Implementar tecnologias de inteligência artificial que não funcionem em kinyarwanda representaria uma séria barreira à prestação eficaz de cuidados de saúde”, alertou.

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