Mercado & Finanças

Conselho Económico e Social destaca Corredor do Lobito como eixo estratégico para integração regional

O Conselho Económico e Social (CES) destacou a relevância estratégica do Corredor do Lobito como plataforma fundamental para a integração regional, o escoamento de minerais e produtos agrícolas e o reforço das ligações comerciais entre Angola e os países do interior da África Austral, durante a sua primeira reunião plenária realizada fora de Luanda.

A posição foi expressa no comunicado final da 1.ª Reunião Plenária do CES de 2026, que terminou este domingo, no município da Baía Farta, a cerca de 22 quilómetros a sul da cidade de Benguela. Os membros do Conselho consideraram que o projecto poderá impulsionar o desenvolvimento económico, a criação de empregos e o aumento da competitividade logística do país.

Os trabalhos decorreram ao longo de todo o dia e estiveram organizados em três áreas temáticas — Económica, Social e Empresarial — com apresentações técnicas seguidas de debates amplos e participativos, orientados para a formulação de propostas de soluções estruturais e estratégicas.

Na área Económica, foram analisados os desafios enfrentados pelas Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME), com destaque para as elevadas taxas de falência, a paralisação de parques industriais e as dificuldades de integração económica. O Corredor do Lobito foi igualmente debatido enquanto eixo estratégico para a dinamização económica regional, a integração logística e a promoção das exportações.

No domínio Social, os conselheiros abordaram a investigação e a produção científica como estratégia multidimensional para o desenvolvimento sustentável, bem como a segurança alimentar e a agricultura familiar, consideradas pilares essenciais para a redução da pobreza, a coesão social e a estabilidade das comunidades rurais.

Já na área Empresarial, os debates incidiram sobre o crescimento demográfico e os seus impactos no mercado de trabalho, nos serviços sociais e no planeamento económico, além da soberania alimentar sustentável, associada à necessidade de reforçar a cadeia de valor agroalimentar e reduzir a dependência externa.

Durante a reunião foi ainda apresentado o tema “Agro-indústria em Angola: Desafios, Oportunidades e Impactos na Agricultura e no Meio Rural”, sublinhando o papel estruturante do sector na transformação económica, na criação de emprego e no fortalecimento das economias rurais.

Das conclusões conjuntas, destacam-se recomendações para o reforço das políticas públicas de apoio às MPME, maior acesso ao financiamento e à assistência técnica, a desburocratização e reactivação funcional dos parques industriais, bem como a valorização do Corredor do Lobito como plataforma de desenvolvimento regional, integração continental e diversificação da economia.

O CES sublinhou igualmente a centralidade da ciência, tecnologia e inovação como instrumentos transversais de modernização produtiva, a importância da agricultura familiar e da segurança alimentar para a estabilidade social e o combate à pobreza, bem como a necessidade de alinhar o crescimento demográfico com políticas activas de emprego, educação e planeamento urbano.

Ao encerrar os trabalhos, o coordenador do CES, José Octávio Serra Van-Dúnem, destacou a importância da continuidade do diálogo estruturado entre os diferentes sectores da sociedade e da transformação das conclusões do Conselho em recomendações operacionais que contribuam para a melhoria das condições de vida dos cidadãos.

O responsável sublinhou ainda que a realização da primeira reunião plenária fora da capital do país reafirma o compromisso do CES com a descentralização da reflexão estratégica nacional, aproximando o debate sobre políticas públicas das realidades territoriais e promovendo uma participação mais inclusiva dos diversos actores económicos e sociais.

A sessão de abertura contou com palavras de boas-vindas do coordenador do Conselho, que destacou o papel do CES enquanto órgão de reflexão do Presidente da República, vocacionado para a análise técnica e a formulação de contributos estratégicos sobre os grandes desafios do desenvolvimento nacional.

 

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