O Presidente da República Democrática do Congo (RDC), Félix Tshisekedi, manifestou-se, em Luanda, aberto ao apelo para um cessar-fogo “imediato e incondicional”, lançado pelo Presidente da República e presidente em exercício da União Africana, João Lourenço.
Félix Tshisekedi regressou à capital angolana quatro dias após o último encontro com João Lourenço, para novas consultas sobre a situação de segurança no leste da RDC, região marcada por confrontos armados persistentes.
Em declarações à imprensa no final do encontro, o chefe de Estado congolês agradeceu o apoio do Presidente angolano aos esforços “incessantes” para o alcance da paz no país vizinho.
“Estive cá há dias e o Presidente angolano tinha-me feito propostas de iniciativas. Respondi que estávamos abertos a seguir essas iniciativas. Uma delas começa por um cessar-fogo imediato e incondicional. Da nossa parte, subscrevemos totalmente esta iniciativa”, afirmou Félix Tshisekedi.
Numa declaração emitida no final do encontro, lida pelo secretário do Presidente da República para os Assuntos Diplomáticos e de Cooperação Internacional, Vítor Lima, João Lourenço refere que, na qualidade de presidente em exercício da União Africana, “observa com inquietude a deterioração da situação de segurança e humanitária que se regista atualmente no leste da RDC”.
O documento acrescenta que o líder angolano “constata, com a mais viva preocupação, as consequências e ameaças decorrentes desta situação”, que põem em causa os esforços desenvolvidos no âmbito do Conselho de Segurança das Nações Unidas, com destaque para a Resolução 2773, bem como no quadro dos processos de Washington e de Doha.
Segundo a declaração, João Lourenço considera que estes esforços constituem “sem reserva” a única via capaz de conduzir à redução da tensão persistente entre a RDC e o Ruanda e ao entendimento entre os dois países.
Nesse sentido, o presidente em exercício da União Africana apela “ao cessar-fogo imediato e incondicional entre as partes em conflito e à cessação de todas as hostilidades”.
João Lourenço exorta ainda os Governos da RDCongo, do Ruanda e o Movimento 23 de Março (M23) a respeitarem e cumprirem os acordos assinados entre si, com vista à priorização de uma solução pacífica do conflito e à salvaguarda dos direitos e interesses das populações, em conformidade com os processos de Washington e de Doha.
De acordo com o documento, o Presidente angolano apela igualmente a todos os actores da comunidade internacional para que se unam em torno dos esforços em curso com vista à restauração da paz e da estabilidade na RDCongo.
Recorde-se que os Presidentes da RDC, Félix Tshisekedi, e do Ruanda, Paul Kagame, assinaram, em Dezembro de 2025, em Washington, sob mediação do Presidente dos Estados Unidos da América, um acordo com o objectivo de pôr termo ao conflito, garantir a retirada das tropas ruandesas do território congolês e cessar o apoio às milícias armadas.
Contudo, após a assinatura do acordo, testemunhado por vários chefes de Estado africanos, entre os quais João Lourenço, a RDC tem denunciado a persistência de confrontos no leste do país, com as forças do M23 a continuarem a avançar em várias cidades.