Duas gerações da família Rothschild estão envolvidas numa disputa judicial em torno de uma valiosa colecção de obras de arte e objectos históricos, guardada no Château de Pregny, uma propriedade senhorial com vista para o Lago Léman, na Suíça.
Em confronto estão a baronesa Nadine de Rothschild, de 93 anos, viúva de Edmond de Rothschild, herdeiro do ramo franco-suíço da família, e a sua nora, Ariane de Rothschild, actual baronesa e viúva de Benjamin de Rothschild, falecido em 2021.
No centro do litígio está um acervo descrito por visitantes como um “mini Louvre”, composto por mobiliário Luís XVI, objectos históricos de elevado valor patrimonial e obras de mestres como Goya, Rembrandt, Fragonard, El Greco e Boucher. A família mantém tradicionalmente um forte código de discrição sobre o conteúdo exactodo castelo, onde a entrada de visitantes e fotógrafos é proibida.
Nadine de Rothschild sustenta que uma parte substancial da colecção lhe foi legada pelo marido, falecido em 1997, e que pretende criar, em Genebra, um museu para expor o espólio da Fundação Edmond e Nadine de Rothschild, por si criada. Ariane de Rothschild, por seu lado, defende que a colecção deve permanecer intacta e no Château de Pregny.
Nos autos do processo, Ariane, de 60 anos, questiona a autonomia da sogra na condução do caso, alegando que esta estaria a ser influenciada por conselheiros externos, uma acusação que Nadine rejeita categoricamente. Em declarações ao The Guardian, a baronesa mais velha afirmou estar plenamente consciente das suas decisões e lamentou terminar a vida envolvida numa disputa judicial familiar.
A relação entre as duas deteriorou-se após a morte de Benjamin de Rothschild. Nadine deixou, entretanto, a propriedade e vive actualmente nos arredores de Genebra. Até ao momento, ambas as partes registaram vitórias parciais em tribunal: Ariane não conseguiu impedir o uso do nome Edmond de Rothschild na fundação criada pela sogra, enquanto Nadine perdeu o direito de acesso ao castelo. Um terceiro processo, relativo à propriedade das obras de arte, continua em curso.
Os representantes de Ariane argumentam que Nadine apenas reivindicou formalmente os bens após a morte do filho, o que, segundo a defesa, fragiliza a sua posição legal. A família recusou comentar o caso, invocando respeito e discrição.
Nadine, porém, mantém-se determinada. “Estamos a falar de objectos históricos que pertencem a um museu”, afirmou, sublinhando que age em nome da preservação do património e da honra da família. A baronesa diz ainda esperar que, no futuro, as netas compreendam que o conflito não é contra elas, mas uma disputa entre mãe e avó.