A importação de carne em Angola continua a recuar, mas o esforço financeiro para garantir o abastecimento do mercado interno permanece elevado. Nos últimos cinco anos, as compras externas têm registado uma tendência de descida, e no primeiro semestre de 2025 voltaram a cair 12%, totalizando 126.021 toneladas, segundo dados da Administração Geral Tributária (AGT).
Apesar da redução em volume, o país continua a desembolsar mais divisas para adquirir carne no exterior. De acordo com a AGT, os gastos com a importação de frango, porco e vaca aumentaram 57% no mesmo período, atingindo 301,3 milhões de dólares — um reflexo da subida dos preços médios no mercado internacional.
O economista Hermenegildo Quixigina alerta que esta dependência das importações representa um desafio para o equilíbrio externo do país. Em declarações ao jornal OPAÍS, sublinhou que a necessidade de divisas para garantir o acesso a produtos essenciais “cria pressões estruturais sobre o balanço de pagamentos”, defendendo um reforço das políticas de apoio aos produtores nacionais.
Segundo o especialista, a produção interna ainda está longe de garantir a autossuficiência. O Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) 2023–2027 prevê metas ambiciosas para inverter esse cenário e aumentar significativamente a capacidade produtiva até 2027.
As projecções incluem elevar a produção anual de carne suína para 123,4 mil toneladas (mais 55%), aumentar a produção bovina para 109,4 mil toneladas (mais 30%), duplicar a produção de caprinos e ovinos de 157,1 mil para 310,1 mil toneladas, e multiplicar a produção avícola de 36,3 mil para 244,3 mil toneladas.
De acordo com o documento, estes objectivos visam não apenas reduzir a necessidade de importações, mas também fortalecer o rendimento dos produtores pecuários e impulsionar o desenvolvimento económico e social das comunidades rurais. Se cumpridas, as metas permitirão que o país dê passos decisivos rumo à autossuficiência alimentar no sector das carnes.