O ex-ministro da Economia no governo de Jair Bolsonaro e sócio fundador da YvY Capital, Paulo Guedes, afirmou esta semana, durante um evento promovido pela UBS Wealth Management, que o mundo atravessa um “tsunami de conservadorismo”, resultado do que considera ser o colapso da ordem mundial estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.
De acordo com o ex-ministro, a geopolítica passou a ocupar o centro das decisões globais, substituindo a economia liberal como força dominante. “Agora é geopolítica na frente, conservadores na frente, liberalismo no banco de trás e socialistas fora da conversa”, declarou Guedes.
Paulo Guedes sustentou que o cenário atual é marcado por insegurança política, social e económica, o que impulsiona a procura por valores mais conservadores. “As pessoas querem protecção, querem segurança. Não é normal você sair de casa sem saber se vai voltar. Não é normal não ter segurança política, de propriedade, de vida.”
Para o ex-ministro, quem está sob ameaça não é o capitalismo, mas as democracias. Ele argumenta que o Ocidente perdeu força enquanto o Oriente ganhou protagonismo, citando a China como exemplo: “Mergulhou no capitalismo e tirou 700 milhões de pessoas da miséria.”
Guedes afirmou que o Brasil pode beneficiar-se do novo contexto global, desde que reconheça o seu valor geopolítico. Para ele, o país será cada vez mais disputado pelas grandes potências, o que exigirá posicionamento claro. “O problema do Brasil não é económico, é político e psicológico. Nós temos tudo: energia limpa, alimentos, território, gente boa. Só falta acreditar no Brasil.”
Assiste-se, de acordo com o ex-ministro, ao fim da ordem liberal. No período pós-Segunda Guerra assistiu-se à fase de “ascensão e auge das democracias liberais”, marcada pela expansão do comércio global e pelo avanço tecnológico. Essa ordem, afirmou, começou a ruir com a invasão da Ucrânia pela Rússia e a intensificação dos conflitos no Médio Oriente.
“A arbitragem global acabou. O mundo é agora dominado por forças nacionais, estratégicas e militares. A economia virou reactiva”, disse ainda.
Sobre a política brasileira, Guedes prevê que as eleições de 2026 serão dominadas pelo debate em torno da segurança — e não pela economia —, contrariando a estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pretende destacar indicadores económicos da sua gestão.
“Não vai ser a economia que vai ser o factor eleitoral. É a segurança, a segurança pessoal, segurança económica, segurança para os seus filhos, nacionalismo de volta. São valores conservadores”, concluiu Paulo Guedes.