Mercado & Finanças

Angola deverá crescer 2,9% em 2026, prevê Standard Bank, após travagem económica em 2025

O Standard Bank projecta que Angola volte a acelerar o crescimento económico em 2026, com o Produto Interno Bruto (PIB) a expandir 2,9%, depois de um ano marcado pelo abrandamento da actividade, sobretudo devido à contracção do sector petrolífero.

A projecção foi avançada pelo economista-chefe do Standard Bank para Angola, Moçambique e República Democrática do Congo, que destacou que 2025 foi um ano de desaceleração, mas que o país “está no caminho da recuperação”.

“Em 2025 verificou-se uma desaceleração do crescimento do PIB, afectado pela contracção do sector petrolífero. No entanto, a nossa previsão é de uma recuperação em 2026”, afirmou Fáusio Mussá, sublinhando também o impacto positivo da estabilidade cambial, que tem permitido reduzir a inflação e abrir margem para um eventual corte das taxas de juro.

A primeira metade do ano foi marcada por forte pressão sobre a liquidez global, devido às incertezas relacionadas com a política alfandegária dos Estados Unidos. Contudo, a partir do momento em que Washington começou a negociar tarifas mais baixas, registou-se um alívio nos mercados internacionais, com restauração dos fluxos de capital e maior estabilidade no preço do petróleo.

Esse ambiente externo mais favorável tem ajudado Angola a estabilizar a receita petrolífera, mesmo num contexto em que a produção enfrenta alguma pressão.

A segunda edição do Briefing Económico do banco, intitulada “Angola além do Oil & Gas”, destaca a crescente importância da diversificação económica.

“O peso do petróleo no PIB caiu para menos de 20%, quando muito recentemente superava os 30%”, referiu o economista, sublinhando que esta redução é “bastante significativa”. Ao mesmo tempo, a receita fiscal não petrolífera está a crescer, sinalizando progressos nas reformas estruturais que visam dinamizar a economia não petrolífera.

Angola está também a implementar uma estratégia de substituição de importações, destinada a estimular a produção interna e reduzir a dependência de bens produzidos no exterior.

Esta estratégia, salientou, “tem o mérito de já permitir substituir alguns produtos por produção local”, embora seja natural que o impacto nas exportações e no crescimento económico mais amplo demore a consolidar-se.

A recuperação prevista para 2026 assenta em factores internos e externos. Para o Standard Bank, trata-se de uma combinação entre estabilidade cambial, desaceleração da inflação, melhores condições nos mercados globais, estabilização da receita petrolífera e avanços na diversificação económica.

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