Mercado & Finanças

Directora-geral do FMI visita Angola entre 19 e 21 de Novembro

A directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, realiza uma visita oficial a Angola entre 19 e 21 de Novembro, antes de seguir para Joanesburgo, onde participará na cimeira do G20. A deslocação foi confirmada pela instituição, através da porta-voz Julie Kozack.

Durante a estadia em Luanda, Kristalina Georgieva deverá reunir-se com as autoridades angolanas, representantes do sector empresarial e estudantes, num roteiro que sublinha a relevância estratégica da relação entre Angola e o FMI num momento de desafios económicos globais.

A visita ocorre dias antes de Luanda acolher a cimeira União Europeia–União Africana, no final do mês, encontro centrado em investimentos europeus no continente e em novas parcerias em áreas consideradas estratégicas.

Nos seus relatórios mais recentes, o FMI tem chamado a atenção para as vulnerabilidades persistentes da economia angolana, nomeadamente o elevado serviço da dívida externa, a dependência das receitas petrolíferas e a inflação elevada.

Em Setembro, a instituição reviu em baixa a previsão de crescimento do país para 2025, de 2,4% para 2,1%, defendendo maior prudência orçamental – recomendações tidas em conta no OGE para 2026.

Histórico das relações de Angola com FMI 

As relações entre Angola e o Fundo Monetário Internacional têm sido marcadas por ciclos de aproximação e cooperação reforçada, acompanhando a evolução económica e política do país desde a independência.

Anos 1980–1990: primeiros contactos e dificuldades

Após a independência em 1975, Angola manteve uma relação limitada com o FMI devido à guerra civil e ao modelo económico centralizado. Nos anos 1980 e início dos anos 1990 ocorreram tentativas de diálogo, mas a instabilidade interna e as políticas económicas pouco alinhadas com os padrões do Fundo dificultaram avanços.

Década de 2000: aproximação gradual

Com o fim da guerra civil em 2002 e o início do boom petrolífero, Angola procurou estabilizar a economia e reforçar credibilidade externa. O país aderiu à vigilância económica do FMI, mas preferiu evitar programas formais de assistência financeira, privilegiando o financiamento bilateral, sobretudo da China.

2009–2012: programa Stand-By Arrangement

A queda abrupta do preço do petróleo em 2008 levou Angola a negociar o seu primeiro grande programa com o FMI. Em 2009 foi aprovado um Stand-By Arrangement (SBA) de cerca de 1,4 mil milhões de dólares, destinado a estabilizar as contas públicas e reforçar as reservas internacionais. O programa foi concluído com avaliações positivas, apesar de desafios na transparência fiscal.

2018–2021: Programa de Financiamento Ampliado (EFF)

Perante nova crise económica, agravada pela queda prolongada do petróleo, Angola solicitou em 2018 um programa de Extended Fund Facility – o mais robusto já assinado com o FMI. Com um envelope de cerca de 4,5 mil milhões de dólares, o programa apoiou reformas na gestão da dívida, regras fiscais, liberalização cambial, reestruturação de empresas públicas e combate à inflação. O acordo foi concluído em 2021, com o FMI a reconhecer avanços importantes, embora persistissem fragilidades estruturais.

2022–2025: vigilância pós-programa e desafios persistentes

Após o fim do EFF, Angola voltou ao regime de supervisão pós-programa (post-program monitoring), sem financiamento associado, mas com acompanhamento rigoroso das contas públicas e da sustentabilidade da dívida. O FMI tem insistido na necessidade de diversificação económica, redução da dependência do petróleo, reformas de governação e maior prudência orçamental.

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