As hostilidades entre Ucrânia e Rússia prosseguem com intensidade, mesmo quando líderes internacionais intensificam esforços diplomáticos para tentar pôr fim a quase quatro anos de guerra.
Nas últimas semanas, registaram-se avanços nos planos de paz e no processo negocial, que marcaram um novo capítulo do conflito, contrastando com a escalada militar persistente no terreno.
As forças russas lançaram uma grande ofensiva aérea nos últimos dias, com mais de 650 drones e dezenas de mísseis lançados contra múltiplas regiões ucranianas, causando pelo menos três mortos, incluindo uma criança de quatro anos, e cortes generalizados de energia em áreas afetadas pelo inverno rigoroso. O governo ucraniano denunciou a ofensiva como um sinal de que Moscovo não está a reduzir a pressão militar, apesar das negociações em curso.
Em resposta, as forças ucranianas continuam a realizar ataques significativos contra alvos russos, incluindo o lançamento de mísseis Storm Shadow de origem britânica contra uma grande refinaria de petróleo na Rússia, atingindo um ponto chave do abastecimento de combustível militar russo.
Enquanto a guerra prossegue, a diplomacia internacional acelerou significativamente. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, anunciou que irá reunir-se com o ex-Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no próximo domingo em Mar-a-Lago, na Florida, para discutir os pontos sensíveis de um plano de paz em desenvolvimento. Esse encontro é considerado crucial para tentar resolver impasses que têm travado a assinatura de um acordo duradouro.
O plano de paz, que recentemente foi redimensionado para um formato de 20 pontos, representa uma actualização de versões anteriores (incluindo um projecto de 28 pontos) e foi desenvolvido em negociações entre Kiev e Washington. Zelenskyy afirmou que o acordo está “cerca de 90% pronto”, com progressos em temas como garantias de segurança, reconstrução e mecanismos de cessar-fogo.
O documento prevê, entre outras coisas: congelamento das linhas de frente, com cessar-fogo supervisionado internacionalmente; possível criação de zonas desmilitarizadas e zonas económicas livres em partes do Donbas e outras áreas disputadas; garantias robustas de segurança para a Ucrânia, similares a cláusulas defensivas como o artigo 5.º da NATO; compromissos para futura adesão à União Europeia e mecanismos de reconstrução económica.
Apesar destes progressos, questões difíceis permanecem por resolver, nomeadamente o futuro dos territórios de Donetsk e Luhansk, bem como o estatuto da central nuclear de Zaporizhzhia, agora sob controlo russo. Moscovo tem analisado o plano, mas ainda não apresentou uma posição oficial, o que aumenta a incerteza sobre a viabilidade de um acordo imediato.
Zelenskyy enfrenta pressões internas e externas quanto às concessões territoriais que o plano pode implicar. Numa recente declaração, ele admitiu que a Ucrânia tem de tomar decisões “difíceis”, equilibrando a defesa da soberania e dignidade nacional com a necessidade de apoio internacional, sobretudo dos EUA.
A União Europeia reiterou que uma paz justa e duradoura só pode ser alcançada respeitando integralmente a soberania, independência e integridade territorial da Ucrânia, e apelou a negociações construtivas e a um cessar-fogo imediato. A UE também tem reforçado o seu apoio financeiro e militar a Kiev como forma de sustentar a sua resistência e capacidade de negociação.
A guerra na Ucrânia permanece marcada por combates intensos e uma diplomacia em movimento acelerado. O novo plano de paz tem trazido alguma esperança de um cessar-fogo ou eventual acordo, mas as diferenças quanto aos territórios controlados e à vontade de Moscovo em ceder continuam a ser obstáculos significativos. O encontro entre Zelenskyy e Trump no fim de semana será um teste importante para determinar se um acordo consensual pode ser alcançado antes de 2026.