Internacional

Washington Post prepara-se para dispensar centenas de trabalhadores

O Washington Post iniciou um novo processo de cortes que deverá levar ao despedimento de centenas de trabalhadores, com particular impacto nas áreas de desporto e internacional, incluindo o fim de vários correspondentes no estrangeiro.

As medidas fazem parte de uma reestruturação profunda do diário norte‑americano, propriedade do multimilionário Jeff Bezos, também dono da Amazon.

As mudanças foram comunicadas esta quarta‑feira pelo editor executivo, Matt Murray, numa videoconferência com jornalistas e outros funcionários do jornal. Nessa reunião, a direcção anunciou que os trabalhadores seriam notificados por correio electrónico sobre a sua situação, sem indicar, porém, o número exacto de despedimentos nem a dimensão actual da redacção.

De acordo com informações avançadas por outras publicações norte‑americanas, os despedimentos poderão atingir cerca de um terço da equipa do Post, aproximando‑se dos 30%. Paralelamente, o departamento de contabilidade será encerrado, enquanto a redacção dedicada à área de Washington e a equipa de edição serão alvo de uma profunda reestruturação. O podcast diário Post Reports será igualmente suspenso.

Matt Murray admitiu que os cortes serão “um choque para o sistema”, mas defendeu que o objectivo é redesenhar o jornal para que possa voltar a crescer e a prosperar num mercado cada vez mais competitivo. A crise contrasta com a trajectória do histórico rival The New York Times, que tem vindo a reforçar receitas e audiência graças ao investimento em produtos complementares – como a plataforma de jogos digitais e o serviço de recomendações de consumo Wirecutter – e que duplicou a sua equipa na última década.

Nas últimas semanas, vários jornalistas do Washington Post têm apelado directamente a Jeff Bezos para travar os cortes. Entre as críticas internas, sublinha‑se a perda de assinantes e influência, que muitos atribuem a decisões estratégicas do proprietário, como o afastamento do apoio explícito à democrata Kamala Harris na campanha presidencial de 2024 contra o republicano Donald Trump e a percepcionada viragem mais conservadora nas páginas de opinião tradicionalmente liberais do jornal.

Face ao novo plano de despedimentos, o Washington Post Guild, sindicato que representa os trabalhadores, lançou um apelo público para pressionar Jeff Bezos a recuar. “Já chega. Sem a equipa do The Washington Post, não há Washington Post”, declarou o sindicato, insistindo que a qualidade e a credibilidade do jornal dependem da manutenção de uma redacção robusta e independente.

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