Mercado & Finanças

“Um CEO tem medo de muita coisa”, assume Luís Teles, CEO do Standard Bank Angola

Em entrevista a um Podcast português, Luís Teles, o CEO do Standard Bank Angola, admite fragilidades e explica a sua visão de futuro para Angola onde é necessário “quebrar o ciclo de pobreza”.

Mais de metade dos quase 30 anos de carreira de Luís Teles no sector financeiro foi passada em funções internacionais. Com um percurso profissional que o levou a cidades como Seul, Londres e Joanesburgo, o gestor está em Angola desde 2010, onde lidera o Standard Bank Angola, conciliando os resultados financeiros com uma missão que considera central no contexto do país: “quebrar o ciclo de pobreza”.

O presidente executivo do banco é o convidado do mais recente episódio da terceira temporada do podcast do semanário Expresso, O CEO é o limite, numa conversa centrada nos mitos da liderança, nas incertezas e nos receios de quem chega ao topo das organizações.

Um dos primeiros mitos que Luís Teles procura desconstruir é o da omnisciente figura do CEO. “Existe uma enorme pressão para parecer que sabemos tudo e estamos preparados para todas as situações, o que não é verdade, e é preciso estar em paz com isso”, afirma. Outro mito recorrente é o de que a liderança elimina o medo. Pelo contrário, sublinha, “um CEO tem medo de muita coisa, desde logo de falhar e pôr em causa o futuro das pessoas que trabalham para si”.

Formado em Gestão pela Universidade Católica, com várias formações em liderança, estratégia e inovação pelo MIT e pelo Insead, Luís Teles construiu grande parte da sua carreira fora do país em que nasceu, Portugal. A primeira experiência internacional surgiu ainda no início do percurso profissional, no âmbito do Programa Contacto, na Coreia do Sul, uma saída que admite não ter sido voluntária, mas decisiva. “Foi o meu pai que me proibiu de desistir”, recorda.

A partir daí, o mundo tornou-se o palco da sua carreira. Trabalhou em Londres, Seul, Joanesburgo e, agora, em Luanda, liderando equipas em contextos onde não tinha referências culturais, redes de apoio ou capital relacional. Uma experiência que lhe trouxe, diz, a humildade necessária para reconhecer que “nunca sabemos tudo”.

Ao longo do percurso, acumulou desafios exigentes, incluindo uma experiência como CEO interino, assumida em simultâneo com outras responsabilidades. Um período que descreve como particularmente formativo, mas para o qual reconhece não ter estado preparado. “Não tinha as ferramentas nem fiz a preparação que devia ter feito, ao contrário do que aconteceu quando assumi a função atual”, admite Luís Teles.

Talvez por isso, fala hoje com frontalidade sobre a insegurança associada à liderança de topo. “Estamos habituados a questionar as decisões do CEO e a achar tudo óbvio. Quando nos sentamos nessa cadeira, percebemos rapidamente as nossas lacunas”, afirma. E conclui: “Há momentos em que isso assusta. Quando somos o CEO, não há ninguém a quem passar o problema. Resolver é a nossa função.”

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