O conflito entre Ucrânia e Rússia entrou numa nova fase diplomática marcada por pressão intensa da Donald Trump para que o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, aceite até ao Natal um plano de paz patrocinado pelos Estados Unidos.
Trump e os seus enviados comunicaram a Kiev que o acordo de paz apoiado pelos EUA deve ser aprovado rapidamente, com alguns órgãos de comunicação social a afirmarem que o prazo dado à Ucrânia chega até ao feriado do Natal.
Numa entrevista recente, Trump afirmou que a Rússia “tem a vantagem” no terreno e que a Ucrânia “está a perder” se continuar sem acordo, também declarou que Zelensky terá de dar o “sim” ao plano, que contém cláusulas anteriormente criticadas por favorecerem Moscovo.
Volodymyr Zelensky tem rejeitado uma das exigências centrais do plano: a cedência de território ucraniano, e declarou que a Ucrânia não pode “dar terra que é nossa”.
Entretanto, a Ucrânia, em coordenação com líderes europeus da França, Alemanha e Reino Unido, prepara uma versão revisada — de cerca de 20 pontos — que deverá ser apresentada aos EUA em breve. Enquanto os EUA empurram por um acordo, líderes europeus mostram-se cautelosos face ao plano, criticando partes que consideram demasiado favoráveis à Rússia.
Trump, por sua vez, fez críticas duras à Europa, qualificando alguns países de “fracos”, numa altura em que há um evidente desgaste, ainda assim, os líderes europeus mantém o apoio à Ucrânia. Se a Ucrânia aceitar o plano até ao Natal, pode obter apoio americano, mas, ao mesmo tempo arrisca-se a comprometer parte da sua soberania territorial.
Zelensky acelera contactos com a Europa para fortalecer a sua posição negociadora, mas os Estados Unidos mantêm-se firmes na necessidade de um desfecho rápido.
O Natal surge como um marco simbólico, mas também real, para avaliar quem cede e em que medida. Se não houver acordo, o cenário pode abrir caminho a mudanças drásticas no apoio militar ocidental e a uma redefinição das fronteiras da diplomacia no Leste europeu.