Internacional

Trump afasta uso da força na Gronelândia e recua nas tarifas após tensão com aliados europeus

Depois de uma semana marcada por ameaças, críticas e troca de recados entre os dois lados do Atlântico, o Presidente dos Estados Unidos recuou e afirmou que já não pretende recorrer à força militar para anexar a Gronelândia, desistindo igualmente da imposição de tarifas comerciais sobre oito países europeus aliados.

A decisão foi anunciada por Donald Trump num discurso no Fórum Económico Mundial de Davos, onde afastou a hipótese de usar a força contra países da NATO. A reação foi recebida como uma “boa notícia” pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, que falava em Estrasburgo. “O que é estranho é que seja notícia que aliados não se atacam mutuamente. Mas, nos tempos que correm, não podemos deixar de registar que é uma indiscutível boa notícia”, afirmou.

Pouco depois, Trump reforçou a posição numa publicação na sua rede social, a Truth Social, garantindo que não avançará com tarifas contra França, Alemanha, Finlândia, Suécia, Dinamarca, Países Baixos, Reino Unido e Noruega — países que vão participar num exercício militar na Gronelândia. Segundo o Presidente norte-americano, a decisão resulta de um entendimento alcançado com o secretário-geral da NATO sobre “o enquadramento para um futuro acordo sobre a Gronelândia e toda a região do Ártico”.

O recuo surge após uma semana de forte pressão diplomática, com a União Europeia a prometer uma resposta firme às ameaças norte-americanas, incluindo a possibilidade de contra-tarifas no valor de 98 mil milhões de euros. França e Alemanha chegaram mesmo a admitir o recurso ao instrumento anti-coerção da UE, que permitiria restringir o acesso de empresas norte-americanas ao mercado europeu ou aplicar taxas sobre serviços digitais.

Em Davos, vários líderes aproveitaram o palco para criticar a postura de Trump, ainda que nem sempre de forma explícita. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, fez um dos discursos mais marcantes do encontro, alertando que as “grandes potências” estão a usar a integração económica como uma “arma”, recorrendo a tarifas e estruturas financeiras como instrumentos de coerção. “A velha ordem internacional não vai voltar. Não devemos lamuriar-nos, a nostalgia não é a estratégia”, afirmou.

Mais direto foi o primeiro-ministro belga, Bart De Wever, que reconheceu que a Europa tentou “apaziguar” o novo Presidente norte-americano, sobretudo na esperança de garantir apoio dos Estados Unidos à Ucrânia. “Somos dependentes dos Estados Unidos e optámos por ser complacentes. Mas estão a ser ultrapassadas tantas linhas vermelhas que temos de escolher entre a nossa dignidade — ser um vassalo feliz é uma coisa, ser um escravo infeliz é outra”, declarou.

Também o Presidente francês, Emmanuel Macron, deixou críticas claras em Davos, defendendo a necessidade de “respeito face aos valentões” e alertando para “a transição para um mundo sem regras, onde o direito internacional é ignorado e o único princípio que parece importar é o do mais poderoso”.

A relação entre Macron e Trump voltou a revelar-se tensa nos Alpes suíços. O Presidente norte-americano ironizou publicamente os óculos do chefe de Estado francês, depois de uma semana em que divulgou uma mensagem privada enviada por Macron e ameaçou impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhe franceses, na sequência da recusa de Paris em integrar o novo Conselho de Paz proposto por Washington.

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