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TAAG fatura 437 milhões de dólares em 2025, mas fecha o ano com prejuízo de 145 milhões

A TAAG encerrou 2025 com receitas de 437 milhões de dólares, transportou 1,26 milhões de passageiros e operou 26 destinos domésticos, regionais e intercontinentais com uma frota de 32 aeronaves. Os números operacionais são expressivos — mas o saldo financeiro é negativo: a companhia registou um défice de 144,6 milhões de dólares. É esse o retrato que o presidente do Conselho de Administração, Clovis Rosa, apresentou esta sexta-feira em conferência de imprensa.

A coexistência de receitas robustas e prejuízos significativos não é uma contradição — é o reflexo de uma companhia em transição profunda, com custos de modernização que ainda não foram absorvidos pelos ganhos de eficiência que prometem gerar.

O que explica o défice

Clovis Rosa apontou várias causas para os 144,6 milhões de dólares em perdas. A mais estrutural é o investimento na renovação da frota — a introdução dos Boeing 787-9 Dreamliner e dos Airbus A220-300 implica custos de transição elevados antes de os novos aparelhos estarem plenamente integrados na operação. A mudança para o novo Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto (AIAAN) gerou perturbações operacionais e custos adicionais. Um ataque informático obrigou à recuperação dos sistemas informáticos da companhia. E o contexto global da aviação — com combustíveis voláteis, pressão sobre os custos e limitações nas cadeias de fornecimento de aeronaves e componentes — afectou a TAAG como afectou a maioria das companhias aéreas mundiais.

A justificação é plausível — mas 144,6 milhões de dólares em défice, numa companhia que fatura 437 milhões, representa uma margem negativa de 33%, o que coloca a questão da sustentabilidade financeira em termos que vão além dos investimentos de modernização.

A modernização em curso

Para suportar a transição para a nova frota, a TAAG implementou o programa PALANCA, desenvolvido em parceria com a Lufthansa Consulting, focado na reestruturação das áreas de segurança operacional, engenharia, manutenção e eficiência organizacional. Em breve, segundo Clovis Rosa, será formalizada uma cooperação operacional com entidades internacionais especializadas para optimizar a utilização dos novos Boeing.

Em 2025, a companhia contratou 275 novos trabalhadores — pilotos, tripulantes de cabine e técnicos especializados — e desenvolveu programas estruturados de formação. O reforço do capital humano é uma aposta necessária numa companhia que opera equipamentos mais sofisticados e que precisa de elevar os seus padrões de manutenção e operação.

2026 como ano de viragem

Clovis Rosa definiu 2025 como o ano da “organização e estabilização” — e 2026 como o período de viragem efectiva. A recuperação da confiança dos passageiros e a regularidade dos voos estão no topo da agenda declarada.

A ambição é clara. O caminho é longo. Uma companhia aérea de bandeira que fecha o ano com um terço das receitas em perdas precisa de mostrar, em 2026, que os investimentos estão a traduzir-se em eficiência operacional, pontualidade e redução dos custos unitários — e não apenas em aeronaves mais modernas no hangar. Esse será o verdadeiro teste à estratégia que a liderança da TAAG está a executar.

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