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Sonangol obrigada a vender acções do BCP para manter participação abaixo de 20%

Petrolífera angolana terá de alienar cerca de 56 milhões de títulos, avaliados em 62 milhões de euros, devido ao programa de recompra de acções do banco português.

A Sonangol está novamente confrontada com a necessidade de reduzir a sua participação no capital do Banco Comercial Português (BCP), numa operação que poderá obrigar a petrolífera angolana a vender cerca de 56 milhões de acções, avaliadas em aproximadamente 62 milhões de euros, para manter a posição accionista abaixo dos 20%.

É o segundo ano consecutivo em que a empresa estatal angolana enfrenta este problema, provocado pelo programa de recompra de acções próprias lançado pelo banco português. A operação reduz o número de títulos em circulação e pode aumentar, proporcionalmente, a participação dos accionistas que não vendem as suas acções.

Actualmente, a Sonangol mantém uma participação de 19,9% no BCP, correspondente a 2.946.353.914 acções, de acordo com a estrutura accionista publicada pelo banco, com referência a 30 de Junho de 2026. .

A manutenção da posição abaixo do limiar de 20% implica, por isso, uma gestão activa da participação, de modo a evitar que a redução do número total de acções do banco provoque um aumento involuntário do peso da Sonangol no capital.

Recompra de acções pressiona estrutura accionista

O programa de recompra de acções próprias do BCP, aprovado em Maio de 2026, prevê uma operação no montante global de cerca de 407,5 milhões de euros, com início a 4 de Junho e conclusão prevista para 4 de Dezembro, salvo eventual encerramento antecipado.

A iniciativa integra o plano estratégico do banco para o período 2025-2028 e visa, em conjunto com o pagamento de dividendos ordinários, assegurar uma distribuição aos accionistas que poderá atingir 90%, tendo em conta as condições previstas pelo banco.

Embora a recompra seja um instrumento de remuneração dos accionistas, os seus efeitos não se limitam à distribuição de capital. Ao diminuir o número de acções em circulação, a operação altera o peso relativo de cada participação e pode obrigar os investidores a rever as suas posições para cumprir objectivos específicos de participação no capital.

É neste contexto que surge a necessidade de a Sonangol alienar parte dos títulos que detém. Segundo os valores indicados para a operação, a venda de aproximadamente 56 milhões de acções representaria um encaixe próximo de 62 milhões de euros, embora o montante final dependa do preço efectivo de alienação.

Investimento estratégico em Portugal

A posição no BCP faz parte dos investimentos internacionais da Sonangol, que tem defendido a manutenção das participações na instituição financeira portuguesa e na petrolífera Galp como activos estratégicos para a diversificação da carteira e a mitigação de riscos económicos.

Em Fevereiro de 2026, o administrador da Sonangol Osvaldo Inácio afirmou que os dois investimentos continuavam alinhados com a estratégia da empresa, considerando-os importantes para a diversificação do portefólio. .

A necessidade de vender acções do BCP não significa, por si só, uma decisão de abandonar o investimento, mas reflecte o desafio de conciliar a estratégia de permanência no capital do banco com os efeitos das operações de recompra sobre a estrutura accionista.

A questão central passa agora por determinar a dimensão efectiva da alienação necessária para preservar a participação nos 19,9%, sem comprometer os objectivos estratégicos que a petrolífera angolana atribui ao investimento no sector financeiro português.

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