A petrolífera estatal voltou a ser, de longe, a empresa mais lucrativa do país, com 862,4 mil milhões de kwanzas. A banca ultrapassou pela primeira vez a fasquia de um bilião de kwanzas de lucros, com o BAI a recuperar a liderança do sector.
A Sonangol, o Banco Angolano de Investimentos (BAI), o Banco de Fomento Angola (BFA), a Unitel e o Standard Bank de Angola foram as empresas que mais lucraram em Angola em 2025, segundo os relatórios e contas e os estudos sectoriais divulgados este ano.
A Sonangol fechou o ano com um resultado líquido de 862,4 mil milhões de kwanzas, cerca de 940 milhões de dólares, de acordo com o relatório de gestão. Mais de metade do lucro, 459,4 mil milhões de kwanzas, veio de fora da actividade petrolífera directa, de três participações: a Angola LNG, o banco português Millennium BCP e a Galp. Só a Angola LNG contribuiu com cerca de 314 mil milhões de kwanzas.
Em Fevereiro, nos resultados preliminares apresentados no 50.º aniversário da empresa, o presidente do Conselho de Administração, Sebastião Gaspar Martins, tinha anunciado um lucro de 750 milhões de dólares, menos 11% do que em 2024, penalizado pela descida de 14% do preço médio do crude angolano, para 69 dólares por barril.
Banca bate recorde
A banca teve um ano histórico. Os lucros agregados dos 21 bancos analisados pela Deloitte no estudo “Banca em Análise 2026” cresceram 23%, para cerca de um bilião de kwanzas, pela primeira vez acima desta fasquia. Os cinco maiores bancos ficaram com 78% dos lucros do sector.
O BAI recuperou a liderança, que o BFA tinha ocupado nos dois anos anteriores, com um lucro de 295,7 mil milhões de kwanzas, o maior da história da banca angolana. O banco propôs um dividendo recorde de 147,8 mil milhões de kwanzas. O BFA, que entrou em bolsa em Setembro de 2025, lucrou 230,6 mil milhões de kwanzas. Juntos, os dois bancos somaram 532,4 mil milhões de kwanzas, mais 49% do que no ano anterior.
O Standard Bank de Angola, que se tornou este mês a sétima empresa cotada na BODIVA, ficou em terceiro lugar, com 149,5 mil milhões de kwanzas. Seguem-se o Banco Keve e o BCI. No extremo oposto, o Banco Sol foi o único com prejuízo, de 5,4 mil milhões de kwanzas, em pleno processo de recapitalização.
Os lucros recorde não se traduzem, porém, num maior financiamento da economia. O crédito concedido pela banca representa apenas 7,8% do PIB, contra cerca de 56% em Portugal e 67% na África do Sul, e os ganhos cambiais pesaram 429 mil milhões de kwanzas nas contas do sector.
Unitel cresce com o BFA
A Unitel, que chegou à bolsa em Julho, lucrou 158,4 mil milhões de kwanzas, mais 59%. O salto deveu-se sobretudo aos ganhos com a venda de 15% do capital do BFA, de que é accionista, e aos dividendos do banco. As receitas operacionais subiram 31%, para 505,3 mil milhões de kwanzas, e a operadora diz ter cerca de 20,8 milhões de clientes.
Sonangol e Unitel sustentam praticamente sozinhas as contas do sector empresarial público. As 78 empresas públicas que entregaram contas ao IGAPE lucraram, em conjunto, 949 mil milhões de kwanzas, mas sem estas duas o resultado seria um prejuízo de 72 mil milhões de kwanzas. Onze empresas públicas tiveram as contas rejeitadas pelos auditores.
Entre as restantes cotadas, a seguradora ENSA aumentou os prémios em 25%, para um recorde de 154,8 mil milhões de kwanzas, mas viu o lucro cair 21%, para 6,4 mil milhões de kwanzas, pressionada pelos sinistros nos ramos da saúde e petroquímico.