Os acordos do Standard Bank de Angola e do BFA com o JP Morgan e o Deutsche Bank reforçam a credibilidade do sistema financeiro nacional e podem abrir caminho à saída de Angola da lista cinzenta do GAFI.
O sistema financeiro ganhou novo ânimo, impulsionado pelos casos recentes do Standard Bank de Angola (SBA) e do Banco de Fomento Angola (BFA), que obtiveram acordos de correspondência em dólares e euros com duas das mais relevantes instituições bancárias mundiais – o SBA com o norte-americano JP Morgan e o BFA com o alemão Deutsche Bank.
Esta evolução acontece numa altura em que o sistema financeiro angolano continua sob escrutínio, com o país ainda na lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira (GAFI), devido a deficiências no combate ao branqueamento de capitais e falhas em matéria de compliance.
Os dois bancos angolanos consolidam, assim, a sua reputação nos mercados interno e internacional, o que se reflecte positivamente em todo o sistema financeiro nacional – onde, apesar do muito trabalho já realizado, ainda há muito por fazer, sobretudo no que diz respeito aos acordos de correspondência com bancos norte-americanos, fundamentais para o acesso ao dólar.
Também por essa razão, o BFA prepara novos passos com a banca dos Estados Unidos, negociando igualmente com o JP Morgan e o Citibank.
O Corredor do Lobito e o interesse norte-americano nesta infra-estrutura funcionam como um “pé na porta” para os bancos dos EUA.
Recorde-se que os bancos angolanos iniciaram, em 2023, negociações intensivas com grandes instituições financeiras norte-americanas, como o JP Morgan, com vista ao restabelecimento de acordos de correspondência em dólares. Estes acordos resultam de uma análise rigorosa dos requisitos de compliance e de “due diligence” exigidos desde a interrupção das relações directas em 2016, motivada por preocupações com branqueamento de capitais e falta de transparência.
O Standard Bank Angola tornou-se o primeiro banco do país a obter aprovação e a abrir contas correspondentes directas em dólares e euros junto do JP Morgan, marcando o regresso dos bancos norte-americanos ao sistema financeiro angolano após quase uma década de ausência.
O regresso do JPMorgan surge após uma revisão abrangente da evolução do sistema financeiro angolano, na sequência das preocupações anteriores relacionadas com corrupção e desafios de compliance.
O novo acordo reduz a dependência de intermediários europeus para operações em dólares, diminui custos e prazos nas transacções internacionais e reforça as reservas internacionais líquidas do país.
Menos de uma semana depois, foi o BFA a anunciar acordos com o Deutsche Bank, garantindo correspondência bancária para operações em euros e dólares, o que sinaliza uma maior abertura do sistema financeiro angolano a parceiros internacionais de grande dimensão.
O banco liderado por Luís Roberto Gonçalves segue agora os passos do SBA, chefiado por Luís Teles, procurando também estabelecer correspondência com bancos norte-americanos.
Angola e os Estados Unidos mantêm acordos que facilitam o cumprimento do FATCA (Foreign Account Tax Compliance Act), promovendo a troca automática de informações fiscais entre os dois países.