Mercado & Finanças

Sector petrolífero angolano regista investimentos anuais acima de 14 mil milhões de dólares

O sector petrolífero angolano registou investimentos anuais superiores a 14 mil milhões de dólares nos últimos três anos, um aumento significativo face a 2019, quando o montante rondava os oito mil milhões de dólares por ano. Os dados foram avançados esta sexta-feira pelo presidente da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), Paulino Jerónimo.

Ao apresentar o balanço dos primeiros anos de actividade da concessionária nacional, entre 2019 e 2025, bem como as prioridades definidas para o ciclo 2026-2030, Jerónimo Paulino revelou que as previsões apontam para investimentos de cerca de 70 mil milhões de dólares nos próximos cinco anos.

Segundo o responsável, o objectivo do Executivo é manter, até 2030, uma produção acima de um milhão de barris de petróleo por dia, apesar do declínio natural da produção, estimado entre 15% e 16% ao ano. “É um desafio grande, mas aceitável e nobre em nome do país”, afirmou.

Paulino Jerónimo reconheceu que o actual contexto é mais exigente do que no início dos anos 2000, quando Angola chegou a produzir cerca de três milhões de barris por dia. As novas descobertas são hoje mais pequenas, com produções que variam entre 50 e 70 mil barris diários, o que obriga a um esforço acrescido para manter os níveis de produção.

Relativamente às reservas petrolíferas, o presidente da ANPG considerou que o país se encontra numa posição confortável, apontando como exemplo a extensão da vigência de vários contratos de concessão. O Bloco 15 foi prolongado até 2038 e o Bloco 17 até 2045, o que, segundo o responsável, demonstra a existência de reservas suficientes para garantir a produção até essas datas, com perspectivas de prolongamento para além de 2050, mediante novas descobertas.

Paulino Jerónimo sublinhou ainda a postura proactiva do Executivo angolano na resposta aos desafios da indústria petrolífera. Um estudo de competitividade realizado em 2022 concluiu pela necessidade de melhorias nos termos contratuais e fiscais, nomeadamente através da introdução de incentivos aos campos maduros, estratégia que permitiu elevar o investimento anual dos anteriores cinco a seis mil milhões de dólares para os actuais 14 a 15 mil milhões.

Por sua vez, o administrador executivo da ANPG, Alcides Andrade, destacou que a estratégia de captação de investimento tem um forte enfoque nos campos maduros, com vista a assegurar produção a curto prazo e sustentabilidade do sector. Segundo explicou, os ajustes aos termos contratuais e fiscais permitiram atrair investimento para cerca de 12 concessões existentes.

A médio e longo prazo, a aposta recai na estratégia de atribuição de novas concessões, aprovada em 2019, que prevê a licitação de mais de 50 blocos. Sete anos depois, cerca de 65 novos blocos já foram adjudicados a vários investidores, estando outros em fase de negociação. A expectativa é que até ao final do primeiro semestre estejam atribuídos mais de 70 blocos.

A administradora executiva da ANPG, Ana Miala, adiantou que decorrem igualmente estudos nas bacias interiores para identificar novas áreas de licitação. As pesquisas estão a ser realizadas nas províncias do Cuando Cubango, Bié, Cunene e Malanje, com foco nas bacias de Etosha/Okavango e Cassanje.

“Depois de 2030, precisamos de nos reinventar e procurar outras fontes para manter os níveis de produção”, afirmou Ana Miala, acrescentando que os recursos actualmente em exploração ultrapassam mil milhões de barris de petróleo.

Relacionadas

Ministro destaca papel da banca no financiamento do sector de

O Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo,

SME inicia emissão de passaporte electrónico no MIREMPET

O Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Pedro

Shell manifesta interesse em reforçar parceria com Angola

O Diretor-Geral da Shell, Alioune Sourang, foi recebido em 4