O Ruanda poderá estar prestes a garantir a realização de um Grande Prémio de Fórmula 1, o que permitiria o regresso da modalidade ao continente africano pela primeira vez em 33 anos. O país da África Oriental intensifica, assim, os esforços para atrair turistas, investidores e captar a atenção internacional através da organização de grandes eventos desportivos.
Fontes governamentais e pessoas próximas da Federação Internacional do Automóvel (FIA), entidade que tutela a modalidade, indicaram que a candidatura ruandesa já recebeu luz verde, embora o anúncio oficial ainda não tenha sido feito, segundo noticiou a agência France-Presse (AFP).
“A candidatura do Ruanda para acolher a prova de Fórmula 1 foi aprovada e já foi alcançado um acordo”, afirmou um responsável governamental. Outra fonte próxima da FIA adiantou que o anúncio deverá ser feito em Kigali na semana seguinte, acrescentando que o Qatar está a apoiar o projecto.
O Presidente ruandês, Paul Kagame, anunciou formalmente a candidatura do país em Dezembro de 2024, durante um encontro da FIA realizado no Ruanda. Desde então, o Governo tem desenvolvido esforços para assegurar a inclusão do país no calendário internacional do automobilismo.
A iniciativa poderá também agradar ao britânico Lewis Hamilton, sete vezes campeão mundial de Fórmula 1, que tem defendido repetidamente o regresso da modalidade a África. Em 2024, o piloto manifestou apoio às ambições ruandesas e descreveu o país como um dos seus destinos preferidos.
O Ruanda tem recorrido cada vez mais ao desporto como instrumento de promoção internacional. Entre as iniciativas adoptadas destacam-se os acordos de patrocínio com os clubes de futebol Arsenal, de Inglaterra, e Paris Saint-Germain, de França, bem como a parceria com a Liga Norte-Americana de Basquetebol (NBA) para desenvolver a modalidade em África. O país acolheu igualmente os Campeonatos do Mundo de ciclismo de 2025.
Contudo, estas ambições desportivas também têm sido alvo de críticas. Os opositores acusam o Governo de utilizar eventos de grande visibilidade e acordos de patrocínio para melhorar a imagem internacional do país, numa altura em que persistem preocupações relacionadas com os direitos humanos e as restrições à oposição política.
África do Sul e Nigéria também na corrida
O Ruanda não é o único país africano interessado em trazer a Fórmula 1 de volta ao continente. A Nigéria também procura assegurar a realização de uma prova, tendo contratado a empresa Opus Racing Promotions para estabelecer contactos com a Formula One Management e a FIA, tendo em vista um Grande Prémio na capital, Abuja. A iniciativa estará associada a um projecto avaliado em 500 milhões de dólares.
A África do Sul, por sua vez, continua a trabalhar para regressar ao calendário da competição, apoiando-se no seu historial na modalidade. O país acolheu 23 provas do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 entre 1962 e 1993.
De acordo com informações anteriormente divulgadas pelo Business Insider Africa, um consórcio liderado por Neal Froneman, antigo presidente executivo da empresa mineira Sibanye-Stillwater, está a estudar um projecto de desenvolvimento imobiliário e de infra-estruturas de automobilismo na província do Cabo Ocidental, avaliado em 6,7 mil milhões de rands, o equivalente a cerca de 402 milhões de dólares. A iniciativa poderá abrir caminho ao regresso da Fórmula 1 à África do Sul em 2031.
O ministro sul-africano do Desporto, Gayton McKenzie, afirmou que os progressos do Ruanda não deverão pôr fim às ambições do seu país. O governante considera que a África do Sul continua a ter condições para acolher uma prova de Fórmula 1 antes de 2030.