Vencedor de um Óscar, desempenhou personagens marcantes em Apocalypse Now e The Godfather.
Robert Duvall foi um advogado da máfia focado nos negócios, um cantor country decadente, num detective cínico, um piloto de Marines intimidador, um comandante no Vietname obcecado pelo surf, num recluso misterioso do Sul e em dezenas de outras personagens do cinema, teatro e televisão, morreu neste domingo., 15 de Fevereiro. Tinha 95 anos.
A sua morte foi anunciada num comunicado pela mulher, Luciana Duvall, que informou que o actor morreu em casa, sem fornecer mais detalhes. O actor vivia há muito tempo numa extensa quinta de cavalos em The Plains, no condado de Fauquier, Virgínia, a oeste de Washington.
O Óscar de melhor actor foi-lhe atribuído por Em Tender Mercies (1983), em Duvall interpretou Mac Sledge, uma estrela country alcoólica e em decadência que encontra redenção ao casar com uma viúva com um filho pequeno. Teria ainda mais seis nomeações para os Óscares em categorias principais e secundárias, durante uma longa carreira cinematográfica que começou no início de 1960.
Para preparar o papel de Mac Sledge, cantou com uma banda country e percorreu o leste do Texas à procura de sotaques. Em preparações semelhantes, conviveu com personagens marginais. Fez amizade com criminosos em East Harlem ao preparar o papel que o tornaria uma estrela: Tom Hagen, o sensato consigliere da família Corleone nos dois primeiros filmes de The Godfather, realizados por Francis Ford Coppola.
Conviveu com detectives antes de interpretar um investigador endurecido em True Confessions (1981). Para um dos seus papéis emblemáticos no teatro — o vigarista Teach na produção original da Broadway de American Buffalo (1977), de David Mamet — passou tempo com um ex-presidiário, de quem retirou detalhes comportamentais para a personagem.
Fez imersões semelhantes para outros papéis marcantes: o tenente-coronel Bull Meechum em The Great Santini (1979); Frank Hackett em Network (1976); e o tenente-coronel Bill Kilgore em Apocalypse Now (1979), famoso pela frase sobre “o cheiro do napalm pela manhã”, que fãs repetiram durante anos.
Apesar de inúmeros papéis icónicos, Duvall dizia que o seu favorito era Augustus McCrae, o velho Texas Ranger da minissérie televisiva Lonesome Dove (1989). Foi nomeado para um Emmy e só viria a vencer quase duas décadas depois, por Broken Trail (2006).
Duvall também realizou filmes, incluindo o documentário We’re Not the Jet Set (1977) e Angelo My Love (1983). O projecto mais pessoal foi The Apostle (1997), que escreveu, financiou e protagonizou, recebendo nova nomeação ao Óscar.
Vida pessoal e posições políticas
Robert Selden Duvall nasceu a 5 de Janeiro de 1931, em San Diego. Filho de um contra-almirante e de uma actriz amadora, cresceu em constante mudança de cidade. Descobriu a representação na faculdade e, após serviço militar, estudou em Nova Iorque, onde fez amizade com Dustin Hoffman e Gene Hackman.
Trabalhou num posto de correios antes de conseguir papéis televisivos. Preferia viver longe de Hollywood, passando muitos anos numa propriedade rural na Virgínia com a sua quarta esposa, Luciana Pedraza, argentina, que conheceu em Buenos Aires.
Politicamente conservador, apoiou candidatos republicanos e recebeu, em 2005, a Medalha Nacional das Artes do presidente George W. Bush.