A Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed) colocou em consulta pública o impacto de possíveis mudanças nos serviços de cobrança e processamento de cheques prestados pelos Bancos da Reserva, abrindo caminho para uma eventual eliminação deste meio de pagamento que tem perdido relevância nos Estados Unidos e na generalidade dos sistemas financeiros globais. A entidade dá um prazo de três meses para que bancos e cooperativas de crédito indiquem o cenário que consideram mais adequado.
Num comunicado divulgado pelo Conselho do Sistema da Reserva Federal, liderado por Jerome Powell, é sublinhado que “o uso de cheques tem diminuído de forma constante”, ao mesmo tempo que os métodos de pagamento digitais “crescem em disponibilidade e utilização”, enquanto a fraude associada aos cheques tem aumentado. Actualmente, os Bancos da Reserva oferecem serviços de processamento de cheques mediante o pagamento de uma taxa.
A Fed alerta ainda que, para manter o nível actual de serviços, seriam necessários “investimentos substanciais” na infraestrutura dedicada a este meio de pagamento, o que obriga a avaliar o custo-benefício da sua continuidade.
Neste contexto, o Conselho apresenta três cenários possíveis:
1. Não investir na infra-estrutura de cheques, mantendo os custos operacionais actuais, mas permitindo uma degradação gradual da fiabilidade do sistema.
2. Investir para manter ou melhorar os serviços, assumindo custos operacionais mais elevados.
3. Reduzir drasticamente ou eliminar os serviços de verificação e processamento de cheques, diminuindo os custos operacionais.
A Reserva Federal explica que o objectivo desta consulta é compreender as necessidades das partes interessadas e equilibrar os compromissos envolvidos em qualquer decisão estratégica. “O pedido de contributos públicos levanta diversas questões, incluindo o impacto sobre consumidores e empresas”, refere o organismo.
A Fed adianta ainda que, se os comentários recolhidos apontarem para uma mudança com efeitos significativos e duradouros no sistema de pagamentos do país, haverá uma nova ronda de consulta pública antes de qualquer decisão definitiva ser adoptada.