Londres vai destacar aviões Typhoon para defender cidades e infra-estruturas sauditas, depois de uma escalada de ataques dos rebeldes iemenitas apoiados pelo Irão que levou Riade a adiar a sua principal conferência de investimento. A crise expõe as fragilidades do modelo do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.
O Reino Unido anunciou na terça-feira que vai enviar caças para ajudar a proteger as cidades e as infra-estruturas críticas da Arábia Saudita da escalada de ataques aéreos dos huthis, os rebeldes iemenitas apoiados pelo Irão. Segundo o Ministério da Defesa britânico, os Typhoon da Força Aérea Real vão realizar missões de defesa aérea contra drones e mísseis, sem atacar posições huthis, e as forças britânicas vão também garantir o reabastecimento em voo às operações aéreas sauditas. O número de aviões não foi divulgado.
O ministro britânico da Defesa, Wes Streeting, classificou os ataques huthis como “absolutamente desprezíveis”. Segundo a Al Jazeera, a decisão foi motivada em parte pela subida dos preços da energia.
Nas últimas semanas, os huthis lançaram uma série de ataques com mísseis e drones contra a Arábia Saudita, visando aeroportos e instalações energéticas. As operações no aeroporto internacional Rei Khalid, em Riade, foram suspensas no início de Outubro, depois dos ataques, e o aeroporto de Abha foi atingido a 7 de Outubro. Um ataque a 10 de Outubro matou 13 pessoas, segundo a imprensa regional. A coligação liderada por Riade respondeu com bombardeamentos contra posições huthis no Iémen. No Egipto, o Parlamento adiou a votação do pedido do Presidente Abdel Fattah al-Sisi para autorizar apoio militar à Arábia Saudita.
“Davos do deserto” adiado
Na segunda-feira, a Arábia Saudita adiou para 2027 a 10.ª edição da Future Investment Initiative (FII), a conferência conhecida como “Davos do deserto”, que estava marcada para 26 a 29 de Outubro em Riade. A presidente executiva da FII, a princesa Maha bint Mishari Al Saud, justificou a decisão com “um profundo compromisso” com os parceiros e participantes, sem anunciar novas datas. A conferência é a montra das ambições globais do reino e da sua estratégia de diversificação económica, a Visão 2030.
Para a revista The Economist, o “annus horribilis” do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman mostrou que, apesar de algumas reformas, “o núcleo do Estado saudita mudou pouco”. “A economia continua a depender do dinheiro do petróleo, o exército continua a ser construído para proteger o regime e não para fazer a guerra, e a política externa continua a contar com os Estados Unidos como protector indispensável”, escreveu a revista.