Economia

Receita de Angola com petróleo deve crescer 23% este ano

Nos primeiros nove meses, o encaixe com a venda de crude já é praticamente igual ao de todo o ano de 2025. Folga orçamental poderá ser aproveitada em 2027, ano em que se deverão realizar eleições gerais

Angola poderá ter encaixado, em apenas nove meses, um montante idêntico ao que obteve com a venda de petróleo em todo o ano de 2025. No ano passado, a receita foi de 24,44 mil milhões de dólares. Nos três primeiros trimestres de 2026, deverá situar-se entre os 22 mil milhões e os 24 mil milhões de dólares.

Projectando esta tendência até Dezembro, é exequível que a venda de petróleo renda ao país uma verba próxima dos 30 mil milhões de dólares. A confirmar-se, será um crescimento de quase 23% face a 2025. As contas foram feitas pelo português Jornal de Negócios.

Ainda não existem dados oficiais para o conjunto do ano, mas a meta é praticamente um dado adquirido, tendo em conta as estatísticas já conhecidas. No primeiro semestre, Angola arrecadou 16,07 mil milhões de dólares. Para o terceiro trimestre, as projecções apontam para uma receita entre os seis e os oito mil milhões de dólares, ou seja, entre 5,3 e 7,09 mil milhões de euros.

Cenário mais prudente é o mais provável

Face à evolução das cotações, o cenário dos seis mil milhões de dólares é o mais credível. No segundo trimestre, com o barril de Brent numa média de 103,85 dólares, Angola registou uma facturação de 8,91 mil milhões de dólares. No terceiro trimestre, a matéria-prima foi negociada a um preço mais baixo, entre os 85 e os 89 dólares, pelo que o valor deverá ser inferior.

Ainda assim, as cotações ficam muito acima do previsto pelo Executivo. No Orçamento Geral do Estado para 2026, Angola fixou o preço de referência do barril em 61 dólares. O valor ficou desactualizado a 28 de Fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irão. O ataque aprofundou a crise energética que se fazia sentir à escala global desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, a 24 de Fevereiro de 2022, numa guerra que dura há mais de quatro anos.

O Orçamento Geral do Estado para 2027 está ainda em preparação, pelo que o preço de referência do barril para o próximo ano continua a ser uma incógnita. A Agência Internacional de Energia perspectiva uma média de 69 dólares. O Bank of America é mais generoso e aponta para os 75 dólares.

A evolução positiva do preço deverá ajudar a que o próximo orçamento seja expansionista, atendendo às eleições gerais que deverão realizar-se em Setembro de 2027. O Governo será tendencialmente mais despesista, como é habitual em períodos eleitorais, e o Brent dará suporte financeiro a esse ímpeto.

Produção em queda é o desafio de longo prazo

Há, contudo, um problema a que Angola precisa de começar já a responder: a produção média de petróleo tem vindo a cair, o que acabará por se reflectir na receita. Para este ano estava prevista uma produção média diária de 1,05 milhões de barris, mas, até Agosto, ficou-se pelos 1,01 milhões.

A redução resulta do declínio dos campos mais antigos em offshore. Terá de ser compensada por investimentos que permitam detectar novas jazidas e contrariar este ciclo negativo. Também por isso, o Governo aprovou em Setembro um conjunto de decretos para alargar a pesquisa petrolífera ao interior do país, delimitando 87 novos blocos.

Os investimentos no sector petrolífero são, porém, exigentes do ponto de vista financeiro e demorados de concretizar no plano operacional. Isso dificulta um aumento ainda mais significativo das receitas provenientes da venda de crude.

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