O Presidente da República, João Lourenço, afirmou nesta terça-feira, 28 de Outubro, que Angola possui capacidade para gerar energia eléctrica suficiente para satisfazer as necessidades internas e está disponível para exportar parte desse excedente para países vizinhos, desde que existam investidores interessados.
Falando na abertura da 3.ª Cimeira para o Financiamento de Infra-estruturas em África, que decorre em Luanda, o Chefe de Estado sublinhou que Angola, enquanto presidente em exercício da União Africana, pretende trabalhar em estreita colaboração com os Estados-membros, instituições financeiras e parceiros internacionais, a fim de potenciar o desenvolvimento de grandes projectos de infra-estrutura, com especial ênfase no sector energético.
João Lourenço destacou que a barragem hidroeléctrica de Caculo Cabaça acrescentará à rede cerca de 2 172 megawatts (MW), sublinhando que ainda há “um enorme potencial energético por aproveitar”, nomeadamente através do projecto transnacional de Baynes Dam, partilhado com a Namíbia.
Segundo o Presidente, a conjugação desses aproveitamentos poderá permitir a Angola produzir até 14.845 MW nas próximas duas décadas.
Relativamente à exportação, o Chefe de Estado referiu que Angola pretende partilhar energia com países da SADC e da África Central, “desde que surjam investidores interessados em construir as linhas de transporte de energia, num regime de parceria público-privada”.
Reconheceu, contudo, que o desafio passa igualmente pelo investimento na rede de transmissão e distribuição, condição essencial para que a energia efectivamente chegue a todo o território nacional — e para que o excedente possa, de facto, ser comercializado externamente.
O anúncio surge num momento em que Angola continua a investir de forma robusta no sector energético.
A capacidade instalada em 2023 foi estimada em cerca de 6 200 MW. Além disso, o Plano de Acção do Sector de Energia 2023-2027 prevê um investimento de aproximadamente 11 mil milhões de euros, com o objectivo de atingir uma taxa de electrificação de 50% até 2027, apostando fortemente em fontes renováveis, que deverão representar cerca de 72% do total.