A morte de Fernando da Piedade Dias dos Santos, conhecido politicamente por ‘Nandó’, continua a gerar inúmeras reacções de pesar a nível nacional e internacional, com mensagens da Presidência da República, membros do Governo, governadores provinciais, embaixadores e do MPLA.
Em comunicado da Secretaria de Imprensa da Presidência da República, o Executivo liderado pelo Presidente João Lourenço destaca, com respeito e consideração, a figura de Fernando da Piedade Dias dos Santos enquanto nacionalista e homem de Estado, sublinhando o facto de ter servido o país em elevados cargos, entre os quais os de ministro do Interior, Primeiro-Ministro, Vice-Presidente da República e Presidente da Assembleia Nacional. Na mesma nota, a Presidência endereça “à família do malogrado as mais profundas condolências”.
Também o ministro das Relações Exteriores, Téte António, manifestou pesar pela morte do antigo dirigente, recordando-o como uma figura incontornável da história política contemporânea de Angola, falecido vítima de doença, aos 73 anos. O chefe da diplomacia angolana assinala ainda que existem registos documentais divergentes quanto ao ano do seu nascimento, apontando 1952 ou 1950.
“O malogrado dirigente e general na reforma serviu o país com elevada dedicação e sentido de Estado, tendo exercido, com distinção, entre outras, as funções de Primeiro-Ministro, Vice-Presidente da República e Presidente da Assembleia Nacional”, escreve Téte António, acrescentando que Fernando da Piedade Dias dos Santos se afirmou como “um homem de diálogo, de trato fácil, de consensos e profundamente comprometido com a estabilidade institucional e o progresso da República de Angola”. Segundo o ministro, a sua trajectória confunde-se com momentos determinantes da consolidação do Estado angolano, deixando um legado de humildade, patriotismo e respeito pelas instituições republicanas.
Várias missões diplomáticas angolanas no exterior reagiram igualmente à morte de ‘Nandó’. Entre as mensagens, destaca-se a do embaixador de Angola na Namíbia, Pedro Mutindi, que considerou que a sua partida “representa uma perda irreparável” para o país.
Ao nível provincial, o governador da Lunda-Sul, Gildo Matias, manifestou, em nota oficial, “profunda dor e consternação” pela morte do nacionalista e destacado político, ocorrida no dia 18 de Dezembro de 2025, em consequência de doença. O responsável refere que, neste momento de luto, o Governo Provincial da Lunda-Sul “curva-se perante a sua memória, enaltecendo os seus feitos em prol da Nação angolana, da consolidação do Estado Democrático e de Direito e do fortalecimento das instituições da República”.
Também o MPLA manifestou profundo pesar, considerando que o desaparecimento físico de Fernando da Piedade Dias dos Santos representa “uma perda irreparável para a Nação”, tendo em conta o seu percurso de entrega à luta pela liberdade, independência e dignidade do povo angolano, iniciado no princípio da década de 1970, no quadro da acção clandestina.
Natural da província de Luanda, onde nasceu a 5 de Março de 1952, Fernando da Piedade Dias dos Santos ingressou no MPLA em 1971 e iniciou o seu percurso político-militar em 1974, participando activamente em momentos determinantes da história de Angola desde a proclamação da Independência Nacional.
O Bureau Político do MPLA sublinha ainda que, ao longo de uma trajectória marcada pelo sentido de missão, disciplina e lealdade aos valores da Pátria, ‘Nandó’ exerceu, com reconhecida competência, diversas e elevadas funções no aparelho do Estado, tanto no domínio político como no militar.
Entre os cargos desempenhados, o partido recorda a sua integração na Polícia Nacional, onde foi chefe de departamento em 1978 e comandante-geral em 1982, período em que exerceu igualmente responsabilidades dirigentes no Grupo Desportivo Interclube. Posteriormente, foi vice-ministro do Interior, acumulando funções com a chefia dos Serviços de Informação (SINFO), e exerceu o cargo de ministro do Interior entre 1999 e 2002.
Entre 2002 e 2008, desempenhou as funções de Primeiro-Ministro da República de Angola, num período exigente da vida nacional, marcado pelos desafios da paz, da reconstrução e da consolidação institucional.
Com a entrada em vigor da Constituição da República, em 2010, foi designado Vice-Presidente da República, cargo exercido de Fevereiro de 2010 a Setembro de 2012. Exerceu ainda dois mandatos como Presidente da Assembleia Nacional, de 2008 a 2010 e de 2012 a 2022, afirmando-se como uma figura de diálogo, equilíbrio e conciliação no Parlamento angolano.
Abel Chivukuvuku, líder do PRA-JA, reagiu à morte de ‘Nandó’ e escreveu no Facebook que “marcou profundamente a minha vida e o meu percurso. As memórias de gratidão que guardo dele enchem-me de gratidão e, neste momento, comovem-me profundamente, com lágrimas de saudade pelo meu irmão mais velho”, e acrescentou: “para mim, foi um irmão, um amigo e um conselheiro”, termina dizendo “a vida levou-me um irmão, mas não apagará jamais o legado e as lembras que deixou”.