Mercado & Finanças

Preço do ouro dispara e analistas alertam para forte influência de especuladores

ouro negoceia em baixa

O preço do ouro tem registado uma valorização histórica ao longo de 2024 e 2025, impulsionado por investidores institucionais, bancos centrais e, sobretudo, por fundos especulativos. 

A onça atingiu um máximo de 4.380 dólares em Outubro, antes de recuar mais de 10% e voltar a recuperar parcialmente. No acumulado do ano, o metal está 55% acima do valor registado em Janeiro e supera em 47% o recorde anterior ajustado à inflação, alcançado em 1980.

Apesar da recente volatilidade, muitos analistas internacionais antecipam que o ouro possa ultrapassar a fasquia dos 5.000 dólares até ao final de 2026, um cenário que, até ao início do ano, era dado como improvável.

Historicamente, o ouro valoriza em períodos de instabilidade financeira. Porém, a actual subida ocorre num contexto inesperado: não há recessão nos EUA, as bolsas continuam fortes e as taxas de juro reais permanecem elevadas.

Especialistas apontam que alguns investidores institucionais procuram refúgio devido a receios geopolíticos – como tensões entre EUA e China, conflitos na Europa e Médio Oriente, ou potenciais riscos associados a uma correcção no sector da inteligência artificial. Contudo, estes factores não explicam totalmente a trajectória quase linear do ouro desde o início do ano.

Uma segunda tese sugere que bancos centrais, sobretudo de mercados emergentes, estão a reforçar reservas em ouro para se protegerem da instabilidade política americana, do endividamento crescente e de potenciais pressões inflacionistas. No entanto, dados disponíveis não confirmam uma venda significativa de títulos do Tesouro dos EUA — movimento que faria cair o dólar e subir os juros de longo prazo.

O aumento da participação do ouro nas reservas resulta, em grande parte, da valorização do próprio metal. Em termos físicos, as compras mantêm-se relativamente modestas e concentradas em poucos países. Dados recentes do FMI indicam mesmo uma desaceleração das compras reportadas.

A análise mais convincente aponta para o peso crescente dos especuladores. Segundo informação da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA (CFTC), fundos de hedge acumulavam, até Setembro, posições compradas recorde equivalentes a 619 toneladas de ouro. Os fundos cotados em bolsa (ETFs) também registaram fortes entradas.

As saídas destes fundos no final de Outubro explicam a queda abrupta de mais de 10% no preço — tendência revertida quando os ETFs voltaram a comprar. Os dados mais recentes reforçam a ideia de que o preço segue de perto o apetite destes investidores voláteis.

Economistas observam que uma movimentação inicial de bancos centrais poderá ter desencadeado uma “onda de momentum”, ou seja, um movimento especulativo auto-alimentado por fundos que compram apenas porque o preço continua a subir.

Este fenómeno levanta preocupações no mercado: quanto mais tempo durar a escalada, maior poderá ser a correcção futura, penalizando sobretudo os investidores mais agressivos que entram nas fases avançadas da tendência.

Nota: este artigo é uma adaptação de um artigo publicado no site da The Economist em 16 de Novembro.

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