Angola mantém um perfil demográfico jovem, com 62% da população abaixo dos 25 anos, de acordo com os resultados preliminares do Censo Geral da População e Habitação realizado a 19 de Setembro de 2024. A idade média situa-se agora nos 23,2 anos, acima dos 20,6 registados em 2014.
Os dados revelam ainda um ligeiro predomínio feminino: 51% dos residentes são mulheres e 49% homens. O índice de masculinidade subiu para 96 homens por cada 100 mulheres, uma evolução face a 2014, quando se contabilizavam apenas 94.
O país conta atualmente com 9,1 milhões de agregados familiares, praticamente equivalentes ao número de habitações existentes. A média de 3,9 pessoas por agregado mantém-se estável em relação ao censo anterior.
No que respeita a condições básicas, apenas 37% dos agregados familiares têm acesso à água canalizada dentro de casa, no quintal ou em habitações vizinhas, evidenciando desafios persistentes no acesso a serviços essenciais.
A província de Luanda continua a concentrar a maior fatia da população, atingindo agora os 8,8 milhões de habitantes — mais 1,9 milhões do que há dez anos. Seguem-se as províncias da Huíla, Huambo, Benguela, Cuanza Sul, Bié e Uíje, todas acima dos dois milhões de residentes.
No extremo oposto, o Cuando permanece a província menos povoada, com pouco mais de 138 mil habitantes. Integra o grupo de regiões que não chegam aos 700 mil residentes, onde se incluem o Zaire, Cuanza Norte, Moxico, Cubango e Moxico Leste.
Os dez municípios mais populosos concentram 24% da população angolana — cerca de 8,6 milhões de pessoas — sete dos quais pertencem a Luanda: Kilamba Kiaxi, Cacuaco, Mulenvos, Viana, Cazenga, Maianga e Camama.
Em termos de densidade populacional, a discrepância entre províncias mantém-se acentuada. Luanda apresenta 5.349,3 habitantes por quilómetro quadrado, enquanto o Cuando regista apenas 1,3.
O português é actualmente falado por 45,5% da população, seguido pelo umbundo (17,1%), kimbundu (10,8%), tchokwe (6,9%) e kikongo (6,8%).
Nos grupos etnolinguísticos, os ovimbundo continuam a ser o maior, representando 29,1% da população, seguidos dos kimbundu (27%) e dos bakongo (14,4%).
Pela primeira vez, o censo incluiu dados sobre pessoas com albinismo, contabilizando 1,6 milhões de indivíduos. Desses, 342.423 têm idades entre os 15 e os 64 anos.
Alguns indicadores demográficos relevantes, como a esperança média de vida e a taxa de fecundidade, não foram divulgados no Censo 2024, impedindo comparações diretas com os resultados de 2014.