Os preços do petróleo voltaram a registar ganhos nos mercados internacionais, após uma sessão marcada por fortes oscilações, num contexto em que os investidores continuam atentos aos desenvolvimentos da guerra no Médio Oriente e às possíveis medidas para estabilizar o mercado energético.
O West Texas Intermediate (WTI), referência para os Estados Unidos, avançava 2,53%, para 85,56 dólares por barril, enquanto o Brent, referência para Angola e Europa, subia 2,37%, para 89,89 dólares.
A tendência de alta ocorre depois de um início de semana marcado por forte volatilidade. Os preços do crude chegaram a aproximar-se dos 120 dólares por barril, mas recuaram posteriormente para abaixo dos 90 dólares, após o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o fim da guerra com o Irão poderá ocorrer “muito em breve”.
Durante a sessão, os preços chegaram a inverter temporariamente a tendência depois de o Wall Street Journal noticiar que a Agência Internacional de Energia (AIE) propôs aos seus 32 países-membros a libertação de um volume recorde de reservas estratégicas de petróleo.
Caso a proposta seja confirmada, os países da organização poderão colocar no mercado cerca de 182 milhões de barris de crude, um volume semelhante ao libertado em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, quando os preços da energia registaram uma forte escalada. Segundo o jornal norte-americano, uma decisão poderá ser anunciada ainda esta quarta-feira.
Analistas consideram que a medida pode ter efeitos contraditórios no mercado. Para Charu Chanana, estratega-chefe de investimentos da Saxo Markets, a libertação das reservas pode funcionar como “uma válvula de escape”, aumentando temporariamente a oferta e reduzindo o pânico dos investidores, mas também pode ser interpretada como um sinal de que o risco de interrupção no abastecimento global é elevado.
Situação semelhante ocorreu em 2022, quando a libertação de reservas estratégicas inicialmente não impediu a subida dos preços, mas acabou por contribuir posteriormente para estabilizar o mercado energético.
Entretanto, persistem dúvidas no mercado quanto à segurança do transporte de petróleo no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio energético mundial. Um responsável norte-americano chegou a indicar que a Marinha dos EUA teria escoltado um petroleiro na região, informação posteriormente corrigida pela Casa Branca, que esclareceu que tal operação não ocorreu.