Os preços do petróleo registaram queda nos mercados internacionais, com o Brent, referência para a Angola e Europa, a negociar abaixo dos 90 dólares por barril, após declarações do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que prometeu uma resolução “muito em breve” para o conflito com o Irão.
A descida ocorreu depois de uma forte escalada dos preços da energia nos últimos dias, provocada pelas tensões no Médio Oriente e pelo risco de interrupções no comércio global de petróleo e gás natural liquefeito (GNL).
Durante a madrugada de terça-feira, tanto o Brent como o West Texas Intermediate (WTI) chegaram a cair mais de 10%, reduzindo posteriormente ligeiramente as perdas. O Brent recuava cerca de 8,5%, para 90,61 dólares por barril, enquanto o WTI descia 8,49%, para 86,75 dólares. Na sessão anterior, ambos tinham disparado mais de 30%, aproximando-se dos 120 dólares por barril.
No mercado do gás, os preços também registaram quedas expressivas. O gás natural negociado na Europa caiu cerca de 14,9%, para 47,55 euros por megawatt-hora, depois de ter registado uma subida acentuada desde o início do conflito.
A reacção dos mercados ocorreu após Trump afirmar que a ofensiva no Médio Oriente está “adiantada face ao cronograma inicial” e que a guerra poderá terminar num prazo relativamente curto, embora não imediatamente. O líder norte-americano anunciou ainda que a Marinha dos EUA irá escoltar petroleiros no Estreito de Ormuz, medida destinada a garantir a segurança do transporte de energia.
O Estreito de Ormuz é um dos principais pontos de passagem do comércio energético mundial, por onde transita cerca de 20% da energia consumida globalmente. Desde o início do conflito, o tráfego na região sofreu uma redução significativa, alimentando receios de uma nova crise energética semelhante à registada em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
A tensão levou mesmo os ministros das Finanças do G7 a discutirem a possibilidade de recorrer às reservas estratégicas de petróleo para conter o aumento dos preços, embora o grupo tenha indicado que ainda não existe decisão nesse sentido.
Entretanto, vários produtores do Médio Oriente foram obrigados a reduzir a produção de petróleo devido às dificuldades em escoar os stocks. Países como Kuwait, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque cortaram cerca de 6,8 milhões de barris por dia, segundo dados citados pela Bloomberg.
Apesar do alívio momentâneo nos preços, analistas alertam que a normalização do mercado energético poderá demorar semanas, mesmo após o eventual fim do conflito. Especialistas indicam ainda que a navegação no Estreito de Ormuz deverá permanecer limitada até que a situação na região esteja totalmente estabilizada.