Os mercados de petróleo bruto atravessam as últimas semanas de 2025 com preços em baixa, num contexto marcado pela conjugação de fundamentos negativos persistentes e estímulos pontuais resultantes de tensões geopolíticas, segundo analistas do sector.
Apesar de recuperações ocasionais ao longo do ano, impulsionadas por manchetes geopolíticas, a tendência dominante continua a ser de fragilidade, reflectindo um equilíbrio instável entre uma procura global contida e um cenário de oferta abundante. Analistas alertam que, embora os preços se mantenham deprimidos, o mercado permanece sensível a eventuais interrupções prolongadas.
Na segunda-feira, os preços do crude subiram mais de 2%, com o Brent a registar o melhor desempenho diário em dois meses e o WTI a alcançar a maior valorização desde 14 de Novembro. Ainda assim, o movimento foi interpretado como uma reacção de curto prazo à aversão ao risco, num mercado estruturalmente pressionado pelo excesso de oferta.
“Os mercados de petróleo bruto estão a atravessar as últimas semanas de 2025 com preços globalmente baixos, reflectindo uma disputa entre fundamentos pessimistas persistentes e notícias optimistas intermitentes”, afirmou Priyanka Sachdeva, analista sénior da corretora Phillip Nova, citada pela Reuters. Segundo a especialista, “a tendência geral mantém-se fraca, uma vez que as preocupações estruturais com a oferta continuam a sobrepor-se às recuperações pontuais”.
Os investidores acompanham com cautela os riscos geopolíticos, sobretudo face às previsões de ampla oferta no início de 2026. Esta conjuntura torna os preços particularmente vulneráveis a perturbações prolongadas nas cadeias de fornecimento.
Neste contexto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington poderá manter ou vender o petróleo apreendido recentemente ao largo da costa da Venezuela, no âmbito da sua política de pressão sobre Caracas, que inclui um bloqueio a petroleiros sujeitos a sanções internacionais.
Ainda assim, o banco britânico Barclays considera que, mesmo no cenário extremo de uma queda para zero das exportações venezuelanas no curto prazo, os mercados petrolíferos deverão manter-se bem abastecidos no primeiro semestre de 2026. Numa nota divulgada esta segunda-feira, o Barclays estima, contudo, que o excedente global de petróleo possa diminuir para cerca de 700 mil barris por dia no quarto trimestre de 2026, alertando que uma interrupção prolongada poderá apertar significativamente o mercado e esgotar os stocks recentemente acumulados.
A instabilidade geopolítica no Mar Negro continua igualmente a influenciar o sentimento dos mercados. A Rússia e a Ucrânia realizaram novos ataques a infra-estruturas estratégicas da região, uma rota vital para as exportações de ambos os países.
Na noite de segunda-feira, forças russas atacaram o porto ucraniano de Odessa, causando danos em instalações portuárias e num navio, no segundo ataque à região em menos de 24 horas. Em resposta, um ataque de drones ucranianos atingiu embarcações e cais na região russa de Krasnodar, provocando um incêndio, segundo autoridades locais.
A Ucrânia tem ainda intensificado ataques à logística marítima russa, visando petroleiros associados a frotas paralelas utilizadas para contornar as sanções impostas à Rússia ao longo de quase quatro anos de guerra.
Apesar destas tensões, analistas sublinham que, no curto prazo, os factores estruturais de oferta continuam a dominar a trajectória dos preços, mantendo o mercado petrolífero sob pressão à entrada de 2026.