Desporto

Padel, o desporto nascido num quintal de Acapulco que conquistou o mundo

Inventado por acaso no México em 1969, o padel tornou-se um negócio de milhões. No Reino Unido, investidores já aplicaram 300 milhões de dólares no sector; nos EUA, os campos passaram de menos de 20 para mais de mil em sete anos.

A história do padel começa com um problema de espaço. O empresário mexicano Enrique Corcuera quis construir um campo de ténis na sua casa de Acapulco, mas o terreno não chegava. Fez então uma versão mais pequena, rodeada de paredes, que depressa ganhou adeptos no México. Daí o jogo passou para a Argentina e o resto da América Latina, e entrou na Europa por Espanha.

Mais de meio século depois, o desporto improvisado tornou-se um fenómeno global e um mercado de muitos milhões. Joga-se a pares, num campo fechado, e é mais fácil de aprender do que o ténis. Num campo de ténis cabem três ou quatro de padel.

Nos Estados Unidos, em 2019 havia menos de 20 campos de padel. No início de 2025, a Federação Internacional de Padel (FIP) estimava que já fossem mais de 650, em 175 clubes de 31 estados. A meio do ano, um relatório do setor contava 688 campos em 180 instalações, mais de metade construídos desde janeiro de 2024. Em 2026, o país terá ultrapassado a marca dos mil campos, com padel em 37 estados. A Florida lidera, com cerca de 41% dos campos do país.

No Reino Unido, investidores aplicaram já 300 milhões de dólares em empresas de padel, segundo a Bloomberg. Os números ajudam a explicar o interesse. De acordo com a federação britânica de ténis (LTA), 860 mil adultos e jovens jogaram padel pelo menos uma vez em 2025, mais do dobro do ano anterior. No final de 2025 havia no país 1553 campos em 559 recintos, contra 870 campos em 293 recintos um ano antes. Uma análise da Novuna Finance estima que o padel britânico já movimenta cerca de 180 milhões de libras e poderá chegar aos 200 milhões por ano dentro de sete anos.

No mundo, havia mais de 77 mil campos no final de Junho de 2025, depois de terem sido construídos mais de 14 mil em ano e meio. Espanha continua a ser o maior mercado, com mais de 17 mil campos e mais de seis milhões de jogadores, metade dos praticantes europeus. Segue-se Itália, com mais de 10 mil campos, que entrou numa fase de consolidação depois do boom.

Nem todos os mercados tiveram final feliz. A Suécia é apontada como exemplo do que pode correr mal. Na pandemia, o país passou de cerca de 300 para 4200 campos, a oferta ultrapassou a procura e dezenas de empresas do sector entraram em falência.

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