A inflação estará mais controlada, mas o fim da subsidiação dos combustíveis será adiado.
A consultora britânica Oxford Economics prevê que o Banco Nacional de Angola (BNA) mantenha o ciclo de redução das taxas de juro, podendo atingir os 14% até ao final de 2026, segundo uma análise divulgada esta terça-feira, 25 de Novembro.
Na nota enviada aos clientes, os analistas recordam que tinham considerado “prematuro” o corte da taxa de referência decidido em Setembro, numa fase em que a inflação ainda estava elevada e a taxa real pouco ajudava a travar as pressões sobre os preços. No entanto, afirmam agora que o contexto mudou, sustentando que “a taxa deverá continuar a descer até aos 14% no final de 2026”.
A Oxford Economics considera “mais sensata” a decisão tomada pelo Comité de Política Monetária (CPM) a 18 de Novembro, quando o BNA voltou a flexibilizar a política monetária.
A consultora destaca que o Governo angolano adiou a eliminação gradual dos subsídios aos combustíveis após os protestos de Julho, o que “atenuou uma grande ameaça à estabilidade dos preços”. Este adiamento reduz, para já, uma das principais fontes de pressão inflacionista.
A evolução da inflação em Angola tem vindo a melhorar após vários trimestres de subidas causadas pela liberalização cambial e pela retirada faseada dos subsídios aos combustíveis — medida apoiada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para libertar espaço orçamental para sectores como Saúde e Educação. O FMI, nota a consultora, apontou 2028 como uma eventual data adequada para retomar os cortes nos subsídios.
É este abrandamento da inflação que leva a Oxford Economics a antecipar que o BNA continuará a reduzir as taxas de juro ao longo de 2025.
Na reunião de 18 de Novembro, o banco central baixou a taxa directora de 19% para 18,5%. Reduziu também: a taxa da facilidade permanente de cedência de liquidez, de 20% para 19,5%; a taxa da facilidade permanente de absorção de liquidez, de 17% para 16,5%.
Em comunicado, o BNA justificou os cortes com “a evolução favorável dos principais indicadores macroeconómicos”, destacando a desaceleração consistente da inflação e indicadores monetários que apontam para menores pressões inflacionistas no curto prazo.
A inflação desceu para 17,43% em Outubro, face aos 18,16% registados em Setembro. O BNA estima que este valor esteja nos 17% ao fechar do ano, e em 13,5% em 2016.