O ouro interrompeu nesta quinta-feira a trajectória histórica de valorização, registando uma queda após ter ultrapassado, pela primeira vez, a barreira dos 4 000 dólares por onça.
A correcção é atribuída à realização de mais-valias e ao abrandamento momentâneo das tensões geopolíticas.
No início da sessão, o metal precioso recuava 0,27%, para 4 031,32 dólares por onça. A prata descia 1,28%, para 48,35 dólares, enquanto a platina avançava 0,27%, para 1 661,26 dólares.
De acordo com a Reuters, o ouro “faz uma pausa após uma corrida impulsionada pela procura de refúgio seguro e pelas expectativas de novos cortes nas taxas de juro norte-americanas”.
A perspectiva de um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, mediado pelos Estados Unidos, também contribuiu para a correcção, ao reduzir temporariamente o prémio de risco geopolítico.
“Não se pode ignorar a importância do acordo de fase um entre Israel e o Hamas, mas é provavelmente apenas uma boa desculpa para realização de mais-valias após um novo recorde”, afirmou Kyle Rodda, analista da Capital.com.
Segundo a Bloomberg, o ouro “mantém-se próximo dos máximos históricos”, mas enfrenta “riscos de correcções técnicas” após um mês em território sobrecomprado.
Para Manav Modi, analista da Motilal Oswal Financial Services, “a tomada de lucros e as notícias sobre o cessar-fogo podem agora pesar sobre o ouro”.
Apesar da correçã5o, o sentimento dos investidores continua positivo.
O mercado mantém a expectativa de cortes de 25 pontos-base nas taxas de juro da Reserva Federal norte-americana em Outubro e Dezembro, com probabilidades de 93% e 78%, respectivamente, segundo dados do CME FedWatch.
“Todos os fundamentais continuam a apontar para cima”, reforçou Rodda.