O preço do ouro atingiu um novo recorde durante a madrugada desta terça-feira, ao negociar nos 3 508,73 dólares por onça no mercado spot (cerca de 2 998 euros à taxa de câmbio actual).
Desde o início de 2025, o ouro acumula uma valorização de 30%, impulsionado por diversos factores que têm levado investidores a aumentar a exposição à matéria-prima. Entre os principais factores está a expectativa de corte nas taxas de juro de referência da Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed).
De acordo com Joni Teves, estratega do UBS Group, a possibilidade de redução nas taxas, associada a dados económicos menos sólidos, incertezas macroeconómicas e riscos geopolíticos, tem reforçado a procura por ouro como instrumento de diversificação de carteira.
Teves afirma que, neste contexto, é provável que o ouro continue a alcançar novos máximos nos próximos trimestres.
Em Abril, o ouro já havia atingido o patamar de 3 500 dólares após o anúncio de tarifas recíprocas por parte de Donald Trump, o que levou investidores a procurarem activos considerados mais estáveis.
Mais recentemente, a valorização tem sido influenciada pela expectativa de alterações na política monetária e pelo confronto entre o presidente dos EUA e a Fed, com Trump a pressionar publicamente por cortes nas taxas de juro.
Segundo Kyle Rodda, analista da Capital.com, há uma crise de confiança em relação a activos denominados em dólares, agravada pelas críticas de Trump à independência da autoridade monetária norte-americana.
Christopher Wong, da Oversea-Chinese Banking, observou que o nível actual de preços representa um território sem precedentes e afirmou que os investidores irão acompanhar de perto os próximos movimentos do mercado.
A atenção dos mercados também está voltada para a decisão da justiça dos EUA sobre a legalidade do afastamento de Lisa Cook, governadora da Fed, por Donald Trump. A decisão poderá ter impacto adicional na negociação do ouro no curto prazo.