Economia

Okuya Adventures torna-se primeira empresa angolana admitida na ATTA

O Deserto do Namibe, a Baía dos Tigres, o Parque Nacional do Iona e as Quedas de Kalandula são cenários que qualquer campanha de turismo sonharia vender. Faltava, no entanto, quem os colocasse diante das pessoas certas — aquelas que decidem que destinos entram nos catálogos internacionais. Foi essa lacuna que a Okuya Adventures acaba de encurtar.

A operadora angolana, fundada em 2021 por Adilson Leão e Jessé Manuel, foi admitida na African Travel & Tourism Association (ATTA), uma das principais redes profissionais dedicadas à promoção e comercialização de destinos africanos, tornando-se, segundo a própria empresa, o primeiro membro angolano da associação.

A integração coloca a Okuya numa rede que liga mais de 900 empresas de 31 países africanos ao mercado global de viagens, entre operadores turísticos, agências, hotéis, companhias aéreas, entidades de turismo e empresas de representação. Fundada em 1993, a ATTA funciona sobretudo como uma plataforma de ligação entre quem desenvolve produtos turísticos em África e quem os comercializa nos principais mercados emissores.

Para além da distinção institucional, a adesão pode ser lida como um passo na estratégia de internacionalização da própria Okuya e, numa escala mais ampla, como uma tentativa de aproximar Angola dos circuitos profissionais onde se negoceiam destinos, itinerários e parcerias. Promover um destino internacionalmente não depende apenas de campanhas de imagem ou da participação em feiras — depende também da capacidade de entrar nas redes onde operadores, agentes e compradores constroem os programas que acabam por chegar ao viajante. A associação oferece aos membros acesso a eventos, feiras internacionais, contactos comerciais, formação, comunicação e canais de visibilidade junto de profissionais da indústria, uma estrutura que, para a Okuya, representa a possibilidade de colocar experiências desenvolvidas em Angola diante de parceiros que trabalham directamente com turismo africano.

“Recebemos esta admissão com enorme orgulho, mas também com um grande sentido de responsabilidade”, afirma Adilson Leão, fundador da Okuya Adventures, em comunicado enviado à imprensa. “Ser o primeiro membro angolano significa abrir uma porta que esperamos que, no futuro, seja atravessada por muitas outras empresas do nosso país”, acrescentou.

De mostrar Angola a conseguir vendê-la

A entrada na rede internacional acontece num momento em que a Okuya tem vindo a alargar a sua presença fora do país. A própria ATTA apresenta a empresa no seu directório como uma Destination Management Company angolana especializada em viagens de natureza, cultura e expedição, com operações que incluem precisamente aquele quarteto de paisagens: o Deserto do Namibe, a Baía dos Tigres, o Parque Nacional do Iona e as Quedas de Kalandula. Nos últimos anos, a empresa marcou também presença em encontros internacionais do sector como a FITUR, em Madrid, a ITB Berlin e a Africa’s Travel Indaba — movimentos que apontam para uma mudança de escala: depois de construir experiências no território, o desafio passa agora por garantir que essas experiências chegam aos canais internacionais de distribuição.

É uma diferença importante. Um destino pode ser visualmente atractivo e acumular potencial turístico sem necessariamente conseguir transformar esse interesse em fluxos consistentes de visitantes, negócio para operadores locais e presença continuada nos catálogos internacionais. A ligação a redes profissionais procura actuar precisamente nessa etapa da cadeia — a que raramente aparece nas fotografias, mas que decide se um destino chega a ser vendido a sério.

“Durante anos percorremos Angola e percebemos que temos diante de nós um dos destinos mais extraordinários e menos explorados de África”, afirma Jessé Manuel, cofundador da Okuya. Para o responsável, a adesão dá à empresa “mais uma plataforma para levar essa Angola ao mundo”.

Continuidade de uma estratégia já em curso

A entrada na ATTA soma-se a outra frente do percurso da empresa: em Abril, o projecto Trilhas de Memória — as rotas de turismo cultural de Angola desenvolvidas pela Okuya — tinha já sido apresentado internacionalmente na ITB Berlin, uma proposta que coloca património imaterial, memória comunitária, oralidade e conhecimento local no centro da experiência turística.

A adesão à associação internacional acrescenta agora uma dimensão comercial e institucional a esse trabalho: se as rotas culturais procuram transformar memória e território em experiências capazes de receber visitantes, a ligação a uma rede internacional procura aproximar essas experiências de quem tem capacidade para as integrar em circuitos de viagem.

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