Economia

Obras do Porto de Águas Profundas do Amboim arrancam no próximo ano

Primeira fase de um investimento estimado em 500 milhões de dólares deverá gerar mais de mil empregos, com o objectivo de tornar a infraestrutura um hub de transporte no Atlântico Sul

O início das obras da primeira fase do Porto de Águas Profundas do Amboim, localizado no município de Porto Amboim, no Cuanza-Sul, está previsto para o primeiro trimestre do próximo ano.

O projecto envolve um investimento estimado em 500 milhões de dólares, conforme anunciou o presidente do Conselho de Administração da empresa, Nelson dos Santos. À margem de uma mesa-redonda de esclarecimento, o gestor declarou que o montante abrange a infraestrutura física, a aquisição de equipamentos e a operacionalização inicial da estrutura.

Nelson dos Santos informou ainda que já foi assinado um memorando de entendimento com a empreiteira responsável, estando em curso os últimos acertos para a sua implementação. Ainda para este ano, estão programadas acções ligadas à segurança da autoridade portuária, à mobilidade interna e ao reforço do perímetro do recinto. As obras vão gerar mais de mil empregos.

Um projecto avaliado, no total, em cerca de 1,2 mil milhões de euros

Este arranque da primeira fase surge no seguimento de um processo que já leva vários anos de preparação. Segundo dados anteriores da Empresa Portuária do Amboim, o projecto global está orçado em cerca de 1,2 mil milhões de euros, prevendo múltiplos terminais portuários cuja execução será feita de forma faseada, precisamente para facilitar a mobilização de recursos financeiros e técnicos — um modelo que explica por que motivo o investimento inicialmente anunciado por Nelson dos Santos, de 500 milhões de dólares, corresponde apenas à primeira etapa de um empreendimento bem mais amplo.

Ainda em Março deste ano, equipas da Toyota Tsusho e da Toa Corporation deram início oficial aos trabalhos de campo em Porto Amboim, com estudos de análise geotécnica do solo e medições batimétricas do relevo subaquático da Baía do Kissonde — trabalhos preparatórios considerados o alicerce técnico para a futura infraestrutura.

Segundo responsáveis do sector, o futuro porto do Amboim vai situar-se estrategicamente entre dois dos maiores portos do país — o de Luanda e o do Lobito —, ao longo de uma linha de costa marítima do Cuanza-Sul com 1.700 quilómetros, actualmente servida por seis portos. O objectivo do Executivo é transformar a infraestrutura num verdadeiro hub de transporte no Atlântico Sul, com um fluxo de carga projectado em 20,9 milhões de toneladas até 2027, podendo atingir os 48,4 milhões de toneladas até 2050.

O projecto está alinhado com as metas do Plano de Desenvolvimento Nacional (PND) para o período 2023-2027, que estabelece o objectivo de aumentar a contribuição do sector marítimo e portuário para o Produto Interno Bruto (PIB), de 17,4 mil milhões de kwanzas em 2022 para 48,4 mil milhões de kwanzas em 2050 — um crescimento que o Executivo considera dependente, em larga medida, da concretização deste tipo de infra-estruturas portuárias de grande escala.

Mais de mil empregos directos e indirectos

Segundo o próprio Nelson dos Santos, em declarações anteriores ao governador do Cuanza-Sul, Narciso Benedito, o impacto socioeconómico do projecto deverá ser significativo, com a geração de pelo menos mil empregos directos e indirectos — um número que reforça a expectativa de que o Porto de Águas Profundas do Amboim venha a tornar-se um dos principais motores de desenvolvimento económico da província nos próximos anos, à semelhança de outros grandes projectos portuários que têm vindo a transformar a logística marítima em várias regiões de África, incluindo o Corredor do Lobito, com o qual esta nova infraestrutura deverá, no futuro, complementar-se dentro da estratégia mais ampla de Angola para se afirmar como plataforma logística regional no Atlântico Sul.

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