Ralf Dahrendorf, um dos grandes teóricos do liberalismo moderno, que conciliou mercado, democracia e coesão social, escreveu que “uma sociedade que proclama direitos, mas não cria as condições para que todos os possam exercer, transforma a liberdade numa ilusão para muitos”.
Pode parecer-lhe estranho começarmos desta forma, quando vamos escrever sobre Ivanilson Cruz de Sousa Machado, nascido em Luanda, em Março de 1979. Com 46 anos, nasceu num país independente e tem contribuído visivelmente para afirmar Angola no mundo através do sector em que actua – poderíamos chamar-lhe sector petrolífero, mas vamos optar por energético – onde Machado tem feito de tudo para uma efectiva liberalização.
Ivanilson Machado foi condecorado pelo Presidente João Lourenço com a medalha da classe Paz e Desenvolvimento como reconhecimento do papel decisivo do gestor na transformação e crescimento do sector energético, a par do seu envolvimento em iniciativas de capacitação de talentos locais e projectos sociais.
É casado, pai de dois filhos, e é mais do que um gestor sénior de uma empresa bandeira do desenvolvimento energético angolano: é um exemplo. É também um coach motivacional e um influenciador digital.
A sua carreira, como a de tantos quadros angolanos, foi feita no exterior.
Entre 2016 e 2020 esteve na capital moçambicana, Maputo, como CEO da Puma Energy. Dirigiu três empresas do grupo naquele país e foi ainda membro do conselho de administração da Petrobeira. Regressou a Luanda em 2020 para assumir o cargo de CEO do Grupo Pumangol.
Ivanilson Machado é licenciado em Relações Internacionais e Ciências Políticas pela UAL (Universidade Autónoma de Lisboa), e não se ficou por aqui. Fez diversas pós-formações em prestigiadas instituições de ensino como a INSEAD Paris, HEC Paris, London Business School, Kellogg School of Management e Católica Lisbon School of Business and Economics, e mais recentemente na Harvard Business School, em cursos mais específicos de gestão executiva, liderança e marketing.
A sua carreira no sector energético como líder começou em 2009, no Grupo Trafigura/DT em Angola, assumindo o cargo de Director-Geral da Transfuel. Depois, em 2014, foi transferido para a Puma Energy em Angola (Pumangol), onde foi director da Angobetumes e da Pumangol Industrial.
Em 2016 foi seleccionado como um dos 100 jovens líderes económicos africanos com menos de 40 anos, apresentado pelo Instituto Francês Choiseul em parceria com a Forbes Africa. Em 2018 foi também reconhecido pelo MIPAD (organização que, em parceria com a ONU, destaca as pessoas de ascendência africana mais influentes no mundo) no ranking mundial dos 100 melhores abaixo dos 40 anos, na categoria de Negócios e Empreendedorismo em África.
Como orador – e motivador – já participou em vários fóruns, nomeadamente da SADC, Universidade Católica, Universidade de Cambridge, Instituto Choiseul & Forbes Africa, entre muitos outros eventos em África e na Europa.
A Pumangol é uma das principais empresas do sector energético em Angola, posição que tem vindo a consolidar desde Dezembro de 2021. Hoje, é não só uma empresa de referência, como também integralmente angolana. Conta com 83 postos de abastecimento distribuídos pelo país e emprega mais de 500 pessoas de forma directa.
Ivanilson Machado é um liberal que faz uma defesa séria e persistente da liberalização do sector downstream, o que “traria vantagens significativas para Angola”, posicionando a Pumangol como uma empresa preparada para competir num mercado aberto. A Pumangol venceu, pelo terceiro ano consecutivo, o prémio de “Best Recipient of the Year” nos Oil & Gas Awards.
O gestor sublinha que a empresa que lidera tem “foco no cliente”, aposta na melhoria contínua dos serviços e tomou a decisão estratégica de entregar a gestão das lojas de conveniência à rede SPAR. “Permitiu-nos concentrar no que fazemos melhor: armazenar, distribuir e vender combustível com qualidade”, disse, num modelo inicialmente aplicado em Luanda e que está em expansão para outras províncias.
A Pumangol apresenta sinais evidentes de crescimento: as vendas de combustível de aviação cresceram 45% no segundo trimestre de 2024, no mesmo ano em que a empresa foi escolhida para abastecer a visita presidencial de Joe Biden a Angola — um sinal da credibilidade operacional alcançada.
Ivanilson Machado insiste na liberalização total do sector e no fim dos subsídios aos combustíveis. “Hoje, o crescimento das empresas fica limitado por dependerem de um único importador. Com a remoção total dos subsídios, a liberalização permitirá que operadores com capacidade real — como a Pumangol — importem, armazenem e distribuam combustível de forma autónoma”, defende o CEO.
Entretanto, a empresa mantém investimentos em infra-estruturas, como o terminal de armazenamento de Luanda, crucial num futuro mercado concorrencial. O terminal, totalmente alocado às importações da Sonangol, poderá ganhar nova função com a entrada em operação do terminal da Barra do Dande.
Nesse contexto, a localização da Pumangol oferece vantagens logísticas para várias províncias e poderá atrair clientes internacionais, incluindo operadores da RDC, que enfrentam escassez de capacidade de armazenamento.
Com a transição para capital totalmente nacional, a Pumangol, liderada por Ivanilson Machado definiu a capacitação de jovens angolanos como prioridade. O programa de estágios, inicialmente pensado para 15 candidatos, recebeu mais de 30 devido à elevada qualidade das candidaturas. Muitos já foram integrados na empresa. “Queremos formar a nova geração de especialistas do downstream em Angola”, reforça o gestor.
A empresa está a focar-se na diversificação dos negócios: lubrificantes (especialmente para o sector mineiro), distribuição de gás liquefeito (LPG) através da rede de postos, terminais de aviação e armazenamento.
Embora reconheça que o país ainda não está preparado para uma adopção em grande escala de energia renovável, a Pumangol procura garantir que as novas estações de serviço sejam equipadas com painéis solares.
Menos expressiva é a adesão aos veículos eléctricos: o CEO reconhece que a adopção ainda é reduzida, sobretudo fora de Luanda, mas revela que a empresa estudou modelos alternativos — como estações de troca de baterias para motocicletas eléctricas, solução que considera promissora para as províncias.
Para os próximos cinco anos, Ivanilson Machado aposta na manutenção de elevados padrões de qualidade e na modernização contínua da rede de postos; na inovação do conceito de serviço, tornando cada estação um “espaço de conveniência e experiência”; na expansão selectiva para localizações com forte potencial; na aposta em novos segmentos como a distribuição de GPL; e na eficiência operacional reforçada com a futura liberalização do sector.
“É importante recordar que a Pumangol é hoje uma empresa 100% nacional, com uma força de trabalho integralmente composta por angolanos”, faz questão de sublinhar o CEO da empresa.