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Nova Marginal da Corimba em construção, primeira fase envolve investimento de 246 milhões de euros

A nova Marginal da Corimba, considerada uma intervenção estruturante para Luanda, avançará 120 metros sobre o mar através de dragagens e implicará o realojamento de cerca de 2.000 famílias, segundo fonte oficial. As obras da primeira fase, a cargo da Mota-Engil, foram visitadas neste domingo pelo primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro.

O chefe do Governo português salientou que este é um dos projectos beneficiados pela linha de crédito que Portugal disponibiliza a Angola para obras executadas por empresas portuguesas. A linha foi reforçada com 500 milhões de euros em Julho de 2024 e recebeu este ano um novo reforço de 750 milhões, totalizando 3.250 milhões de euros.

Ao apresentar a obra, o director nacional de Infraestruturas Urbanas, Simão Tomé, afirmou que a Nova Marginal tem como objectivo melhorar a mobilidade, resolver problemas de drenagem pluvial e de águas residuais, bem como impulsionar o desenvolvimento urbano, integrando vias, viadutos, habitação e sistemas de saneamento.

O projecto tem 7,3 quilómetros de extensão, ligando o Memorial António Agostinho Neto ao viaduto da Corimba, e inclui três viadutos, além de 26 quilómetros de vias urbanas destinadas a reforçar a ligação entre os principais eixos que unem o sul de Luanda ao centro da cidade.

A obra contempla ainda a construção de estações de tratamento de águas residuais, que irão tratar os efluentes actualmente lançados diretamente no mar, com capacidade para servir cerca de dois milhões de habitantes.

As dragagens previstas permitirão conquistar 120 metros ao mar, criando uma plataforma marítima onde serão instaladas três faixas de rodagem, incluindo uma exclusiva para autocarros.

O projecto será executado em três fases: a primeira, correspondente à construção da marginal propriamente dita, terá a duração de 36 meses e inclui 400 habitações sociais, num contrato de 245 milhões de euros; a segunda fase abrange mais habitações e intervenções ambientais; e a terceira prevê a construção do corredor do rio Cambambe.

Simão Tomé destacou a complexidade técnica da obra, que exige estudos de maré e dragagens, prevendo-se o início da execução da plataforma marítima em Dezembro.

Segundo o responsável, serão erguidas 2.000 habitações, de várias tipologias, para realojar as famílias que terão de ser deslocadas daquela zona. Adiantou ainda que os pescadores que exercem actividade na área também serão realojados.

O ministro angolano das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação, Carlos Alberto dos Santos, sublinhou que as relações entre Angola e Portugal no sector das obras públicas são antigas, apontando como exemplo as diversas infraestruturas construídas no país — de estradas, pontes e viadutos a escolas.

Afirmou que Angola necessita destas obras e tem registado avanços positivos com o apoio de várias empresas portuguesas, incluindo na cooperação para a formação técnica de quadros angolanos, que considerou essencial.

Recordou que Angola tem uma malha viária de 80 mil quilómetros, dos quais Luanda representa entre 10% e 15%, salientando que “há ainda muita infra-estrutura por fazer”.

Sobre o projecto da Marginal da Corimba, referiu tratar-se de uma obra diferenciadora, com impacto significativo na melhoria do ordenamento urbano e na criação de emprego, destacando igualmente a cooperação entre Angola e Portugal neste domínio.

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