Nos últimos anos, uma nova geração de empresas chinesas tem-se expandido globalmente, conquistando mercados que outrora pareciam inalcançáveis.
De lojas de moda em Manhattan a cafés e geladarias, os consumidores já encontram marcas como Urban Revivo, Luckin Coffee e Mixue, todas chinesas, reflectindo a crescente presença do país em sectores variados e em países ricos e pobres.
O fenómeno não se limita ao comércio: em 2025, a fabricante chinesa de veículos eléctricos BYD ultrapassou a norte-americana Tesla em vendas, com mais de um quinto dos carros vendidos no estrangeiro. Ao mesmo tempo, modelos de inteligência artificial desenvolvidos na China começaram a ser utilizados globalmente, incluindo por empresas ocidentais como a Airbnb.
A expansão chinesa distingue-se não só pela velocidade, mas também pelo alcance. Em 2024, as empresas chinesas cotadas geraram cerca de 15 biliões de yuans em vendas externas, e os investimentos chineses no estrangeiro já superam os investimentos estrangeiros na China. Mas o que torna esta vaga particularmente significativa é a mudança de abordagem: em vez de apenas exportar produtos baratos, as empresas chinesas estão a estabelecer fábricas, lojas e centros de dados no estrangeiro, contratando pessoal local e criando cadeias de valor sustentáveis.
Marcas como Miniso e Xiaomi expandem rapidamente a sua presença física, enquanto empresas como ByteDance e Shein mostram que a China é agora capaz de inovar, e não apenas imitar. Os fabricantes chineses de veículos eléctricos atraem agora a atenção de concorrentes ocidentais, que procuram aprender com a experiência do país.
Contudo, esta expansão enfrenta desafios. Empresas em sectores sensíveis têm de lidar com regulamentações estrangeiras complexas, como a exigência de venda da TikTok nos EUA, e também com a cautela do governo chinês em relação a movimentações de capital e deslocações de pessoal.
Ainda assim, para muitas empresas não sensíveis, a expansão internacional conta com apoio do Estado, reflectindo a crescente valorização do poder cultural e económico da China no mundo.
Com cada vez mais marcas chinesas a chegar aos consumidores globais, a tendência indica que o mercado internacional verá, nos próximos anos, uma presença ainda mais forte da China, não apenas como fabricante, mas também como inovadora e criadora de tendências.