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Musk quer juntar Tesla e SpaceX num gigante da inteligência artificial de 3,6 biliões de dólares

As administrações das duas empresas criaram comissões independentes para estudar a fusão, que seria a maior de sempre. O negócio daria a ElonMusk o controlo do grupo resultante e juntaria foguetões, satélites, carros, robôs e inteligência artificial sob o mesmo tecto.

Elon Musk está a estudar a fusão da Tesla com a SpaceX, que absorveu a xAI no início do ano. Seria a maior operação do género de sempre e daria origem a um conglomerado centrado na inteligência artificial (IA), avaliado em mais de três biliões de dólares. A 21 de Outubro, a capitalização bolsista conjunta das duas empresas rondava os 3,69 biliões de dólares, o que colocaria o novo grupo entre as cinco empresas mais valiosas do mundo.

Musk confirmou que as duas empresas criaram comissões especiais de administradores independentes para avaliar a operação, que considera “uma boa ideia”. Reconheceu que é “parte interessada”, por ser o principal accionista e gestor de ambas, e que não há garantia de acordo. Para justificar a fusão, invocou a corrida à IA: “Estamos praticamente na singularidade da superinteligência.” Os mercados reagiram em alta. A 21 de Outubro, as acções da SpaceX subiram 7,8% e as da Tesla 3,4%.

Muito dinheiro para gastar

A operação surge numa altura em que a SpaceX gasta mais do que factura. No terceiro trimestre, as receitas subiram 161%, para 14,58 mil milhões de dólares, e a empresa registou o primeiro lucro desde a entrada em bolsa, em Junho: 4,4 mil milhões. O negócio da IA tornou-se o maior, com 7,56 mil milhões de receitas. O investimento, porém, chegou aos 19,6 mil milhões no trimestre, acima das receitas, e a empresa prevê gastar entre 35 e 40 mil milhões nos últimos três meses do ano em centros de dados, fábricas de chips e foguetões. A SpaceX está a negociar novas fontes de financiamento por dívida.

É por isso que os críticos vêem na fusão uma forma de canalizar o dinheiro da Tesla, gerado pelos carros e pelas baterias, para os investimentos em IA da SpaceX, à semelhança do que os analistas disseram quando a xAI foi integrada. Os defensores do negócio apontam as sinergias entre a rede de satélites Starlink, os robotáxis e a condução autónoma da Tesla e o robô humanóide Optimus.

Mais poder para Musk

O negócio reforçaria o controlo de Musk. O empresário tem cerca de 20% dos votos na Tesla, onde cada acção vale um voto, e mais de 80% na SpaceX, graças a acções com direitos de voto reforçados. Segundo o Barclays, uma troca de acçõespoderia dar-lhe mais de 56% dos votos no grupo resultante. A fusão aproximaria também as metas dos seus pacotes de remuneração: na Tesla, até um bilião de dólares se a empresa atingir 8,5 biliões de capitalização até 2035, e, na SpaceX, mil milhões de acções de voto reforçado se a empresa chegar aos 7,5 biliões e criar uma colónia em Marte.

A operação precisa da aprovação de mais de metade dos accionistas e dos reguladores. O analista DanLevy, do Barclays, admite que o negócio seja oficializado antes da assembleia anual da Tesla, prevista até 6 de Dezembro.

Pelo caminho há riscos políticos. Musk é o maior doador republicano nas intercalares de 3 de Novembro, com mais de 276 milhões de dólares desde Julho, segundo o New York Times. Os democratas prometem investigar os contratos da SpaceX com a NASA e os subsídios à Tesla se ganharem o Congresso. O empresário está ainda no centro da polémica sobre as restrições à rede militar Starshield usada pela Ucrânia.

 

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