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Morreu António Mota, o patriarca da Mota-Engil, empresa ligada a relevantes infra-estruturas em Angola 

António Mota, que liderou a Mota-Engil entre 1995 e 2023, morreu este domingo, 30 de Novembro, aos 71 anos, dois anos depois de ter entregado a um sobrinho a empresa fundada pelo pai, Manuel António da Mota, em 1946, no mesmo ano em que começou a ligação da construtora com Angola. 

António Mota, começou a trabalhar na empresa em 1976, mas foi apenas em 1995 que assumiu a liderança da construtora. Licenciado em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, entrou na Mota-Engil como estagiário e passou por várias áreas do grupo até chegar ao topo.

Em comunicado, a Mota-Engil deu nota da morte de António Mota, referindo que o grupo “perde hoje uma figura marcante na sua história, a quem muito deve o que é hoje: um Grupo Multinacional, reconhecido pela qualidade de Engenharia e sob uma gestão de elevado compromisso com cada cliente e parceiro, em que a palavra bastava para honrar os seus compromissos, numa liderança muito suportada em valores que a todos transmitiu e a que teremos de saber honrar e dar a devida continuidade”.

“Líder carismático, empresário visionário e Homem de enorme humanidade, o Engenheiro António Mota foi um exemplo maior na capacidade de inspirar equipas, criando relações de proximidade e respeito com as diferentes gerações que foi acolhendo no seio da empresa”, lê-se ainda no comunicado.

Em Portugal, multiplicam-se os votos de pesar pela morte do empresário, desde o Presidente da República, ao primeiro-ministro passando por inúmeras figuras do meio empresarial e político.

António Mota vai repousar no jazigo da família, no cemitério de Amarante, cidade do Norte de Portugal de onde era natural, depois das cerimónias fúnebres que decorrem entre hoje e amanhã, 1 de Dezembro, na Igreja de São Gonçalo, na mesma localidade.

A Mota-Engil é hoje liderada por um sobrinho de António Mota, Carlos Mota Santos, CEO da empresa, numa renovação geracional promovida pelo patriarca há dois anos, numa altura em que os negócios da construtora continuam em expansão pelo mundo.

Mas é em Angola, onde a Mota-Engil está presente desde o ano da fundação, em 1946, que a empresa conta com um portefólio particularmente relevante em infra-estruturas. Desde logo, integra o consórcio responsável pela construção do Corredor do Lobito, mas há mais.

Entre as principais infra-estruturas realizadas destacam-se a Baía de Luanda (Marginal de Luanda), uma construção dividida em três fases: criação de espaços rodoviários, zonas verdes, zonas comerciais e de lazer; as Luanda Towers, três edifícios de 28 andares destinados a habitação e escritórios; a ponte 4 de Abril, na Catumbela; e, em curso, a ferrovia e logística do Corredor do Lobito, através de um consórcio com a Trafigura e a Vecturis, no âmbito da concessão ferroviária de 30 anos para o Corredor do Lobito.

Encontramos também a construtora portuguesa nas obras da Marginal da Corimba, na construção de 2.000 habitações sociais, na edificação de nós rodoviários, na reabilitação de vias urbanas de acesso e no corredor da Cambanda — infra-estruturas com um custo estimado em cerca de 670 milhões de dólares e uma duração prevista de 36 meses.

A isto soma-se a reabilitação das infraestruturas gerais da urbanização Nova Vida, no município de Kilamba Kiaxi, em Luanda (24 meses, cerca de 228 milhões de dólares), e a construção ou modernização do posto fronteiriço do Luvo (aprox. 57 milhões de dólares).

E a lista não acaba aqui: o nome Mota-Engil está igualmente ligado ao projecto de abastecimento de água Bita – Sistema IV, entre muitas estradas e outras infra-estruturas.

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