Economia

Moody’s melhora perspectiva da África Subsaariana de estável para positiva

A agência de notação financeira Moody’s reviu em alta a perspectiva soberana da África Subsaariana, de estável para positiva, considerando que as reformas económicas implementadas em vários países ajudaram a região a resistir às pressões inflacionistas, enquanto os preços elevados das matérias-primas e um melhor acesso ao financiamento contribuíram para reforçar as posições orçamentais.

A revisão, divulgada ontem, quarta-feira, dia 7, surge num contexto de melhoria das condições de liquidez e de maior capacidade dos países da região para enfrentar choques económicos. Segundo a Moody’s, os produtores de matérias-primas têm beneficiado da valorização dos preços, ao mesmo tempo que a melhoria do acesso aos mercados de financiamento tem reduzido alguns dos riscos de liquidez.

A agência prevê que as economias da África Subsaariana cresçam, em média ponderada, 4,3% em 2026 e 2027. A estimativa aponta para uma manutenção do ritmo de expansão económica, apoiada pela recuperação das condições financeiras e pelas reformas adoptadas em vários países.

Menores necessidades de financiamento

A Moody’s estima igualmente uma redução das necessidades anuais de financiamento dos governos da região. O montante necessário para cobrir défices orçamentais e refinanciar dívida com vencimento deverá baixar para 11,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, contra o pico de 12,3% registado em 2025.

A agência projecta ainda uma estabilização da dívida pública total em 56,6% do PIB em 2027, depois de ter atingido 62,4% em 2025.

A evolução, contudo, será desigual entre os países. Zâmbia e Etiópia deverão registar as maiores reduções dos níveis de endividamento, enquanto Botswana, afectado pela fraca procura mundial de diamantes, e Gabão, que enfrenta dificuldades no controlo da despesa pública, deverão apresentar os maiores aumentos da dívida.

Apesar da melhoria das perspectivas, a Moody’s mantém alertas sobre a sustentabilidade das finanças públicas. Os elevados encargos com o serviço da dívida, as reduzidas receitas dos governos, os riscos associados às alterações climáticas e as ameaças à segurança regional continuam a constituir vulnerabilidades importantes.

Angola entre os países com perspectiva positiva

Entre os 25 países da África Subsaariana avaliados pela Moody’s, apenas Botswana e Maurícias mantêm uma classificação considerada investment grade, ou seja, um nível de risco de crédito relativamente baixo.

Oito países apresentam actualmente perspectiva positiva: África do Sul, Namíbia, Angola, Nigéria, Togo, Gana, República do Congo (Brazzaville) e Zâmbia. Outros 13 têm perspectiva estável, enquanto quatro apresentam perspectiva negativa: Maurícias, Gabão, Mali e Senegal.

Para Angola, a inclusão no grupo de países com perspectiva positiva representa um sinal favorável no quadro da avaliação do risco soberano, embora não corresponda, por si só, a uma subida da classificação de crédito.

Serviço da dívida continua a pressionar

Um dos principais riscos identificados pela Moody’s está relacionado com o peso dos juros nas receitas públicas. Quénia e Zâmbia deverão canalizar cerca de 35% das receitas governamentais apenas para o pagamento de juros em 2027, o nível mais elevado entre os países avaliados na região.

A agência alerta ainda que uma subida prolongada da inflação, a ocorrência de fenómenos meteorológicos extremos ou uma retirada súbita dos investidores dos mercados obrigacionistas africanos poderão inverter a melhoria actualmente observada nas condições financeiras.

Apesar destes riscos, a Moody’s considera que a combinação de reformas, maior liquidez, melhores condições de financiamento e preços favoráveis das matérias-primas criou condições para uma melhoria do perfil de crédito soberano da região.

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