Mercados Financeiros

Mercados financeiros africanos avançam, mas falta liquidez trava investimento

Os países africanos estão a registar progressos consistentes no desenvolvimento dos seus mercados financeiros, criando condições para que as empresas mobilizem capitais e financiem projectos de infra-estruturas. Contudo, a reduzida actividade de negociação continua a constituir um obstáculo à atracção de investimento e ao financiamento do crescimento económico, revela um estudo anual.

O Índice dos Mercados Financeiros Africanos de 2026, elaborado pelo banco Absa e pelo grupo de reflexão OMFIF, concluiu que 21 dos 29 países analisados melhoraram as respectivas pontuações. A redução da inflação, o reforço das reservas cambiais e as reformas regulamentares contribuíram para o aprofundamento dos mercados financeiros.

Os progressos registam-se num contexto marcado pelo agravamento das tensões comerciais, pelos conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente e pelos elevados custos da energia, factores que, segundo o relatório, poderão comprometer a estabilidade económica do continente.

«O contexto global está longe de ser simples», escreveu o presidente executivo do Absa Group, Kenny Fihla, no relatório, apontando, entre outros riscos, para a possibilidade de ocorrência de um fenómeno climático El Niño de intensidade excepcional.

«Nestes tempos complexos, todos os países devem reforçar os seus fundamentos económicos para enfrentarem melhor a tempestade. Felizmente, muitos países africanos encontram-se precisamente nessa posição», afirmou.

África do Sul mantém liderança

A África do Sul conservou a primeira posição do índice, seguida pelas Maurícias e pela Namíbia. Cabo Verde foi o país que mais subiu na classificação, avançando seis posições para o 13.º lugar, impulsionado pelo reforço das reservas cambiais e por novas iniciativas de financiamento sustentável.

O Gana subiu quatro posições, para o sexto lugar, beneficiando da redução da inflação, do aumento da actividade no mercado accionista e da melhoria das condições económicas, factores que contribuíram para a recuperação do país após a crise da dívida.

O Botswana e a Nigéria recuaram, cada um, duas posições, ocupando o sétimo e o oitavo lugares, respectivamente. No caso da Nigéria, a descida foi influenciada pela deterioração das pontuações relativas ao acesso a divisas e à transparência. O Botswana, por sua vez, foi penalizado pelo agravamento da inflação.

O índice avalia a facilidade com que os países conseguem captar e movimentar capitais, tendo em conta os mercados accionistas e obrigacionistas, o acesso a moeda estrangeira, as poupanças dos fundos de pensões, as condições económicas e o enquadramento regulamentar.

Baixa liquidez continua a limitar os mercados

O desenvolvimento dos mercados financeiros permite às empresas diversificar as fontes de financiamento para além dos empréstimos bancários tradicionais, canalizando as poupanças para projectos de infra-estruturas e outros investimentos de longo prazo.

No entanto, o relatório conclui que a expansão da oferta de produtos financeiros e o desenvolvimento das infra-estruturas de mercado não se traduziram, de forma consistente, num aumento da actividade de negociação. A liquidez permanece, por isso, um dos principais desafios dos mercados africanos.

Os mercados do continente procuram criar condições para operações de captação de recursos de maior dimensão. Entre os exemplos está a oferta pública inicial de acções da refinaria do empresário nigeriano Aliko Dangote, que pretende mobilizar milhares de milhões de dólares junto de investidores particulares e institucionais.

Nova metodologia e pontuação recorde

Na sua décima edição, o Índice dos Mercados Financeiros Africanos introduziu uma metodologia revista, que passou a avaliar os países com base em parâmetros fixos de boas práticas, em vez de os classificar exclusivamente por comparação entre si. As pontuações dos anos anteriores foram recalculadas para permitir comparações consistentes.

A pontuação média dos países analisados atingiu 56 pontos, o valor mais elevado dos últimos dez anos, reflectindo os progressos registados no desenvolvimento dos mercados financeiros africanos.

Refira-se que o relatório de 2026 não dedica um espaço específico a Angola. Em África, em 2025, Angola ocupava o 24º lugar, entre 29 economias.

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