Mercado & Finanças

Mercado Único Africano de Transporte Aéreo está a definir a mobilidade do continente com alguns entraves 

A implementação do Mercado Único Africano de Transporte Aéreo (SAATM) está a redefinir a mobilidade no continente e a dinamizar a rede de ligações aéreas intra-africanas. 

Nos últimos três anos, companhias aéreas do continente abriram cerca de 110 novas ligações intercontinentais, um avanço que tem reduzido significativamente o tempo de viagem entre países africanos e diminuído a dependência de hubs internacionais fora de África.

O SAATM, iniciativa emblemática da União Africana, tem como objectivo liberalizar totalmente o sector aéreo intra-africano, permitindo que companhias do continente operem livremente rotas regulares e de carga entre países africanos. A liberalização pretende estimular a concorrência, baixar custos, ampliar opções para passageiros e fortalecer a integração regional.

A criação de novas ligações directas tem alterado modelos tradicionais de operação, reduzindo a necessidade de escalas em cidades europeias como Frankfurt ou Amesterdão. Rotas estratégicas já identificadas por operadores e fabricantes — como Cidade do Cabo–Lagos, Abidjan–Douala e Abuja–Nairóbi — prometem impulsionar negócios e turismo entre polos económicos africanos em rápido crescimento.

Estudos da Embraer indicam que as rotas directas têm potencial para aumentar a procura e modernizar o sector, especialmente com aeronaves de menor porte e maior frequência, tornando os hubs africanos mais competitivos e eficientes face aos grandes centros internacionais.

Apesar dos progressos, o sector continua condicionado por lacunas infraestruturais e desafios institucionais. Muitos aeroportos carecem de modernização profunda, a regulamentação ainda não é plenamente harmonizada entre os Estados-membros e subsistem limitações técnicas que atrasam a implementação total do mercado único.

Para mitigar estes constrangimentos, programas financiados por parceiros internacionais — incluindo a União Europeia e organizações regionais africanas — estão a apoiar a modernização aeroportuária, a melhoria da navegação aérea e o reforço das entidades reguladoras.

Com o amadurecimento do SAATM e o fortalecimento das instituições reguladoras, estima-se que o continente possa gerar até 1,3 mil milhões de dólares adicionais em PIB, impulsionando o turismo, o comércio e a mobilidade de pessoas. Países como Angola, já integrados no acordo, investem na expansão das suas infraestruturas aeroportuárias e no desenvolvimento operacional de companhias de bandeira, como a TAAG.

A consolidação do Mercado Único Africano de Transporte Aéreo poderá, assim, transformar definitivamente o panorama da aviação africana, tornando-o mais integrado, competitivo e alinhado com as necessidades de um continente em crescimento. Contudo, especialistas alertam que só a ultrapassagem dos obstáculos técnicos, regulatórios e infra-estruturais permitirá atingir todo o potencial desta reforma continental.

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