Mercados Financeiros

Maurícia é o mercado mais atractivo para investir em África. Nigéria sobe quatro lugares

O índice anual da Bloomberg Economics avalia 19 economias africanas. A África do Sul perdeu a liderança e caiu para segundo lugar, e o Botswana recuou duas posições.

A Maurícia é o mercado africano mais atrativo para investir, segundo o Investment Risk-O-Meter 2026 da Bloomberg Economics, que avalia 19 economias do continente. O país insular tirou a liderança à África do Sul, que ocupava o primeiro lugar na edição anterior e desceu uma posição, para segundo, por causa de perspetivas de crescimento mais fracas.

O índice foi publicado no guia anual da Bloomberg para investidores em África. Com dois anos de dados disponíveis, permite já perceber quais os mercados que mostram mais potencial do que há um ano.

A maior subida entre as grandes economias africanas foi a da Nigéria, que avançou quatro lugares, do 12.º para o 8.º. Ultrapassou o Ruanda, a Tanzânia, o Quénia e a Namíbia, graças a melhorias em três dos cinco critérios avaliados: força económica, força orçamental e vulnerabilidade externa.

A subida é atribuída às políticas económicas do Presidente Bola Tinubu, que acabou com o subsídio aos combustíveis e adotou um regime de câmbio flutuante. Segundo a economista Yvonne Mhango, citada pela Bloomberg, a revisão da base de cálculo do PIB nigeriano também contribuiu para a melhoria. O aumento da dívida continua, porém, a ser um desafio orçamental importante.

Em sentido contrário, o Botswana caiu dois lugares, também devido à deterioração das perspetivas de crescimento.

Como funciona o índice

O Risk-O-Meter atribui a cada país uma classificação de risco com base em cinco fatores: força económica, força orçamental, instituições e governação, infraestruturas e vulnerabilidade externa. Os resultados de cada país em indicadores como o crescimento, a dívida, o risco político e as reservas cambiais são convertidos numa escala comum, o que permite comparações mais justas entre países. Os 19 países avaliados, considerados os mais investíveis de África, representam cerca de um terço do continente.

O índice surge num momento de crescente interesse dos investidores pelo continente. Kevin Latter, responsável do JPMorgan Chase para a África Subsariana, considera que a oportunidade de crescimento em África é já suficientemente grande para interessar aos investidores globais.

A liderança da Maurícia é confirmada por outros rankings. No relatório “Where to Invest in Africa2025/26”, do Rand Merchant Bank e do Gordon Institute of Business Science, publicado em outubro do ano passado, as Seicheles e a Maurícia ocupavam os dois primeiros lugares, seguidas do Egito, da África do Sul, de Marrocos, do Gana, da Argélia, da Costa do Marfim, da Tanzânia e do Quénia. Apesar da pequena dimensão, os dois países insulares atraem investidores graças ao PIB per capita elevado, ao bom nível de desenvolvimento humano, à baixa corrupção e à inflação controlada.

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