A intervenção de Luís Silva, CEO da AJS Transportes, marcou um dos momentos mais relevantes do Fórum de Negócios UA-UE 2025, ao defender uma participação efectiva do sector privado africano no desenho e gestão dos principais corredores logísticos do continente.
Com mais de trinta anos de experiência operacional na África Austral, o gestor angolano apresentou um diagnóstico directo e baseado na prática quotidiana de quem enfrenta, no terreno, obstáculos que continuam a travar o comércio regional. Entre os problemas mais frequentes, destacou procedimentos aduaneiros fragmentados, que variam de país para país, atrasos prolongados em postos fronteiriços e a ausência de sistemas digitais integrados que permitam acelerar o fluxo de mercadorias.
Luís Silva foi incisivo ao afirmar que projectos estruturantes, como o Corredor do Lobito, só terão impacto transformador se incluírem desde o início os operadores locais, e não apenas na fase final de execução. “Sem operadores africanos preparados, com financiamento adequado e envolvidos nas decisões estratégicas, a infra-estrutura torna-se apenas capital imobilizado”, alertou o CEO da AJS Transportes.
O CEO defendeu duas reformas prioritárias para os próximos três anos: a digitalização total das fronteiras, através de sistemas de janela única, e a harmonização das regras de trânsito entre os países da SADC. Com base na sua experiência em Angola, Namíbia e África do Sul, garantiu que estas medidas poderiam reduzir os tempos de espera em até 40%, aumentando significativamente a eficiência dos corredores.
Luís Silva sublinhou ainda a crescente competição entre corredores logísticos africanos. Citou o Corredor Tazara (Tanzânia–Zâmbia) como um concorrente directo, já em fase avançada de desenvolvimento, lembrando que investidores irão sempre privilegiar rotas mais eficientes e fiáveis. “Há uma verdadeira concorrência entre corredores no continente. Os que apresentarem melhores condições serão os que captarão o interesse dos investidores”, afirmou o gestor.
A intervenção do gestor angolano mereceu amplo apoio de especialistas e investidores presentes, que reconheceram a pertinência de incluir, de forma sistemática, as vozes e a experiência operacional africanas na concepção dos projectos logísticos. O discurso de Silva deixou claro que a integração do sector privado local é essencial para transformar infra-estrutura em desenvolvimento económico efectivo e sustentável.